16/07/2019

Cérebro em mutação: Estrutura das redes cerebrais não é fixa

Redação do Diário da Saúde
Cérebro em mutação: Estrutura das redes cerebrais não é fixa
As propriedades espaciais de uma determinada rede cerebral mudam com o tempo, assim como sua relação com outras redes cerebrais.
[Imagem: Armin Iraji/GSU]

Redes neurais plásticas

A ciência já considerou o cérebro um órgão "definitivo", imutável ao longo de toda a vida - até se descobrir a plasticidade cerebral, responsável até por fazer as tarefas mudarem de endereço no cérebro.

Agora se descobriu que nem mesmo a plasticidade conta toda a história das mutações pelas quais o cérebro passa em seu funcionamento normal.

De fato, a forma e a conectividade das redes cerebrais - áreas distintas do cérebro que trabalham juntas para executar tarefas cognitivas complexas - podem mudar de maneira fundamental e recorrente ao longo do tempo.

A interação e a comunicação entre os neurônios, conhecida como "conectividade funcional", dá origem às redes cerebrais. Os cientistas vinham presumindo até agora que essas redes seriam espacialmente estáticas e que um conjunto fixo de regiões do cérebro contribuiria para cada rede.

Mas a equipe do professor Armin Iraji, da Universidade do Estado da Geórgia (EUA), encontrou sinais de que as redes cerebrais são espacial e funcionalmente fluidas.

Cérebro com áreas compartilhadas

Os pesquisadores coletaram dados de imagens cerebrais de ressonância magnética funcional (fMRI) para criar instantâneos da atividade da rede cerebral em um nível granular ao longo de vários minutos, e observaram mudanças rápidas na função, no tamanho e na localização das redes.

"Supor que cada região do cérebro está interagindo com o resto do cérebro da mesma forma ao longo do tempo é simplificado demais. Acontece que elas podem ser mais como espaços de trabalho compartilhado, onde as pessoas entram e saem e há trabalhos diferentes sendo realizados em cada momento," disse Iraji.

Ou seja, as propriedades espaciais de uma determinada rede cerebral mudam com o tempo, assim como sua relação com outras redes cerebrais. Ignorar essas variações espaciais e funcionais pode resultar em uma compreensão incorreta e incompleta do cérebro, diz o pesquisador.

"Digamos que nós medimos a conectividade funcional entre duas regiões em momentos diferentes, e vimos uma certa variabilidade," acrescentou Iraji. "Um ponto de vista é dizer que a força da conectividade associada a uma tarefa específica muda ao longo do tempo. Mas, e se essa região for responsável por tarefas diferentes em momentos diferentes? Talvez haja pessoas diferentes nesses dois escritórios em dias diferentes. É por isso estamos vendo a diferença na comunicação."

Esta é mais uma evidência contestando a ideia longamente defendida pelos cientistas de áreas do cérebro responsáveis por comportamentos específicos.


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