24/08/2021

Comer por fome ou por prazer envolve diferentes circuitos cerebrais

Redação do Diário da Saúde
Comer por fome ou por prazer envolve diferentes circuitos cerebrais
A descoberta das duas vias cerebrais abre caminho para o desenvolvimento de terapêuticas para controle do apetite.
[Imagem: Yanlin He et al. - 10.1038/s41380-021-01220-z]

Comer por fome ou por impulso

Muitas vezes comemos, não porque estamos com fome, mas porque a comida é tão apetitosa que, mesmo estando saciados, queremos apenas mais uma mordida.

Comer em excesso, seja pela fome ou pelo prazer, não é bom para a saúde.

Assim, uma equipe internacional decidiu investigar em um modelo animal como o cérebro regula a alimentação quando seu impulso é desencadeado pela fome ou por outros fatores.

A equipe descobriu que, embora o cérebro regule ambos os tipos de comportamento alimentar - por meio de neurônios produtores de serotonina no mesencéfalo -, cada tipo de alimentação é conectado por seu próprio circuito independente, que não influencia o outro tipo de alimentação.

Em outras palavras, se você come por fome ou por um desejozinho fortuito, isso ativa partes diferentes do cérebro.

Um dos circuitos se estende até o hipotálamo, enquanto o outro se projeta em outra região do mesencéfalo. E esses circuitos desempenham papéis muito distintos na regulação da alimentação.

"Isso indica que, no nível do circuito, o cérebro conecta os dois tipos de comportamento alimentar de maneira diferente," reafirmou o Dr. Yong Xu, da Faculdade Baylor de Medicina (EUA).

Terapêuticas contra o apetite

Os pesquisadores também identificaram dois receptores de serotonina e dois canais iônicos que podem afetar o comportamento alimentar, abrindo a possibilidade de que a modulação de suas atividades possa ajudar a regular a alimentação excessiva.

"Um alvo potencial são os receptores de serotonina, que são moléculas que medeiam as funções do neurotransmissor serotonina produzido pelos neurônios," explicou Xu. "Descobrimos que dois receptores, o receptor da serotonina 2C e o receptor da serotonina 1B, estão envolvidos em ambos os tipos de comportamento alimentar. Nossos dados sugerem que a combinação de compostos direcionados a ambos os receptores pode produzir um benefício sinérgico ao suprimir a alimentação."

Os resultados fizeram com que os pesquisadores partissem para novos estudos, que estão sendo iniciados, para identificar quais moléculas poderiam modular a atividade dos canais iônicos para produzir efeitos contra os excessos alimentares. "Também queremos explorar como os fatores externos relacionados à nutrição podem afetar as funções do canal iônico em nível molecular," disse Xu.

Checagem com artigo científico:

Artigo: 5-HT recruits distinct neurocircuits to inhibit hunger-driven and non-hunger-driven feeding
Autores: Yanlin He, Xing Cai, Hailan Liu, Krisitine M. Conde, Pingwen Xu, Yongxiang Li, Chunmei Wang, Meng Yu, Yang He, Hesong Liu, Chen Liang, Tingting Yang, Yongjie Yang, Kaifan Yu, Julia Wang, Rong Zheng, Feng Liu, Zheng Sun, Lora Heisler, Qi Wu, Qingchun Tong, Canjun Zhu, Gang Shu, Yong Xu
Publicação: Molecular Psychiatry
DOI: 10.1038/s41380-021-01220-z
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