08/02/2022

Descoberta conexão entre hipertensão e diabetes

Redação do Diário da Saúde
Descoberta conexão entre hipertensão e diabetes
Ilustração da conexão entre pressão alta e diabetes, que é mediada por uma pequena proteína chamada GLP-1.
[Imagem: Audrys G. Pauza et al. - 10.1161/CIRCRESAHA.121.319874]

Conexão entre pressão alta e diabetes

Cientistas acreditam ter desvendado o enigma de longa data de por que tantos pacientes que sofrem de pressão alta também têm diabetes.

A descoberta mostrou que uma pequena célula de proteína, chamada GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon 1), acopla o controle do açúcar no sangue e o controle da pressão sanguínea do corpo.

"Sabemos há muito tempo que a hipertensão e o diabetes estão inextricavelmente ligados e finalmente descobrimos o motivo, que agora servirá de base para novas estratégias de tratamento," disse o professor Julian Paton, da Universidade de Auckland, na Austrália.

A descoberta contou com a participação da equipe do professor Hélio Salgado, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto (SP).

Corpo carotídeo

O GLP-1 é liberado da parede do intestino depois que nos alimentamos, atuando para estimular a insulina do pâncreas para controlar os níveis de açúcar no sangue.

Isso já era conhecido, mas o que se descobriu agora é que o GLP-1 também estimula um pequeno órgão sensorial, chamado corpo carotídeo, localizado no pescoço.

Os pesquisadores usaram uma técnica genômica chamada sequenciamento de RNA para ler todas as mensagens dos genes expressos no corpo carotídeo. Ao fazer isto em ratos com e sem pressão alta, ficou claro que o receptor que detecta o GLP-1 está localizado no corpo carotídeo, mas ele é menos ativo nos ratos hipertensos.

"O corpo carotídeo é o ponto convergente, onde o GLP-1 atua para controlar simultaneamente tanto o açúcar no sangue quanto a pressão arterial; isso é coordenado pelo sistema nervoso, que é instruído pelo corpo carotídeo," disse o professor Paton.

Hipertensão e diabetes

Pessoas com hipertensão e/ou diabetes têm risco mais elevado de doenças cardiovasculares com risco de vida.

Mesmo recebendo medicação, um grande número de pacientes permanece em alto risco. Isso ocorre porque a maioria dos medicamentos trata apenas os sintomas, e não as causas da pressão alta e do açúcar elevado.

Mas o GLP-1 é apenas o começo. A pesquisa revelou muitos novos alvos para estudos funcionais, que a equipe já está realizando ou que levará a efeito em futuros projetos translacionais, tanto em pacientes humanos hipertensos quanto em diabéticos.

Checagem com artigo científico:

Artigo: GLP1R Attenuates Sympathetic Response to High Glucose via Carotid Body Inhibition
Autores: Audrys G. Pauza, Pratik Thakkar, Tatjana Tasic, Igor Felippe, Paul Bishop, Michael P. Greenwood, Kristina Rysevaite-Kyguoliene, Julia Ast, Johannes Broichhagen, David J. Hodson, Helio C. Salgado, Dainius H. Pauza, Nina Japundzic-Zigon, Julian F.R. Paton, David Murphy
Publicação: Circulation Research
DOI: 10.1161/CIRCRESAHA.121.319874
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