05/06/2019

Crença no Evangelho da Prosperidade não produz empreendedores de sucesso

Redação do Diário da Saúde
Crença no
Outros estudos já haviam mostrado que o dinheiro corrompe, mas o tempo salva, e que, quando o assunto é felicidade, o respeito importa mais do que dinheiro. Assim, tem havido muita suspeita se o dinheiro torna as pessoas más, em vez de boas.
[Imagem: Manuel Dohmen/Wikimedia]

Evangelho da Prosperidade

A crença no "Evangelho da Prosperidade" - a ideia, proposta por várias denominações religiosas de matriz cristã, de que Deus abençoa financeiramente os seguidores fiéis - não transforma os crentes em empreendedores de sucesso.

Embora as crenças de prosperidade possam de fato alimentar valores ligados ao pensamento empreendedor, como poder e realização, os pesquisadores não encontraram nenhuma relação direta entre as crenças na prosperidade e a disposição de assumir riscos, e pouca conexão com o reconhecimento de oportunidades.

Assumir riscos e identificar oportunidades são traços típicos dos empreendedores.

"Conforme revelado em nossos resultados, a crença de que Deus proporcionará benefícios financeiros aos fiéis não é suficiente para levar alguém a iniciar um negócio," disse o professor Kevin Dougherty, da Universidade Baylor (EUA). "A relação entre as crenças de prosperidade e iniciar um negócio é indireta e inconsistente."

Teoria dos Valores Humanos Básicos

Os voluntários responderam a uma escala de três itens para medir suas crenças de que a fé e o comportamento fiel levariam ao sucesso no trabalho e nos negócios.

Isso incluía responder se concordava pouco, medianamente ou muito em afirmações como: "Deus promete que aqueles que vivem sua fé receberão sucesso financeiro"; "Os crentes que têm sucesso nos negócios são uma evidência da bênção prometida por Deus;" e "Eu acredito que crentes fiéis em Deus recebem benefícios financeiros reais nesta vida."

Os participantes também responderam a questões relativas à Teoria dos Valores Humanos Básicos, que tenta medir os valores universais que são reconhecidos em todas as principais culturas, como a abertura à mudança, realização, segurança, poder e benevolência.

No geral, "os empreendedores tendem a pensar de maneira diferente do que os não-empreendedores, valorizando as realizações e a autodireção, enquanto minimizam a tradição e a conformidade," explica o pesquisador Mitchell Neubert.

A César o que é de César

Embora as crenças de prosperidade por si só tenham mostrado pouco impacto direto no empreendedorismo dos crentes, elas influenciam o impacto de valores e atitudes relacionadas à criação de um negócio.

Assim, as crenças de prosperidade podem fortalecer valores típicos dos empreendedores, como a autovalorização. Por outro lado, elas parecem reduzir a relação entre a abertura à mudança e a disposição para assumir riscos.

"Será que os pregadores da prosperidade [...] podem salvar a economia? Provavelmente não. Mas eles também não estão detonando com ela," disse o professor Dougherty. "O tipo de evangelho positivo e de autoajuda que eles pregam pode melhorar as orientações específicas de valor relacionadas ao pensamento empreendedor e ao comportamento empreendedor".

Mas isso provavelmente não determinará o sucesso ou o fracasso do empreendimento, conclui o pesquisador.


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