25/07/2017

Criada técnica para produzir anticorpos humanos em laboratório

Redação do Diário da Saúde
Criada técnica para produzir anticorpos humanos em laboratório
Imagem de microscópio eletrônico mostra uma célula de plasma secretora de anticorpos gerada usando a nova técnica com nanopartículas.
[Imagem: Sanjuan Nandin et al., 2017]

Fabricação de anticorpos

Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu uma técnica para fabricar rapidamente anticorpos humanos específicos em laboratório.

Esses anticorpos sintéticos prometem acelerar a produção de medicamentos para tratar uma ampla gama de doenças e facilitar o desenvolvimento de novas vacinas.

Anticorpos são produzidos pelos linfócitos, ou células B do nosso sistema imunológico, para combater as infecções por bactérias, vírus e outros agentes patogênicos invasivos.

Quando uma célula B individual reconhece um "antígeno" - uma molécula específica derivada de um agente invasor, ou patógeno -, ela se multiplica e cria células plasmáticas, que segregam grandes quantidades de anticorpos capazes de se ligar ao antígeno, afastando a infecção.

Anticorpos sintéticos

Os pesquisadores sonham há muito tempo em replicar esse processo em laboratório para produzir anticorpos específicos a partir de amostras de sangue de pacientes.

No entanto, além de encontrar um antígeno específico, as células B precisam de um segundo sinal para começar a se proliferar e se desenvolver em células plasmáticas. Este segundo sinal pode ser fornecido por fragmentos curtos de DNA, chamados oligonucleotídeos CpG, que ativam uma proteína dentro das células B chamada TLR9. Mas tratar as células B derivadas de pacientes com oligonucleotídeos CpG estimula todas as células B no tubo de ensaio, e não apenas a pequena fração capaz de produzir um anticorpo específico.

A equipe liderada por Sanjuan Nandin e Facundo Batista, do Instituto Francis Crick de Londres, conseguiu agora produzir anticorpos humanos específicos em laboratório tratando as células B coletadas de pacientes com pequenas nanopartículas revestidas com os oligonucleotídeos CpG e o antígeno apropriado. Com esta técnica, os oligonucleotídeos CpG são internalizados apenas nas células B que reconhecem o antígeno específico, e essas células são, portanto, as únicas nas quais a proteína TLR9 é ativada para induzir sua proliferação e desenvolvimento em células plasmáticas secretoras de anticorpos.

Tratamentos e vacinas

A equipe usou sua técnica para produzir vários antígenos bacterianos e virais, incluindo o toxoide tetânico e proteínas de várias cepas da gripe A.

Em cada caso, os pesquisadores conseguiram produzir anticorpos específicos de alta afinidade em apenas alguns dias. Alguns dos anticorpos anti-influenza gerados pela técnica reconheceram múltiplas estirpes do vírus da gripe e foram capazes de neutralizar sua capacidade de infectar células.

O procedimento não depende de os doadores terem sido previamente expostos a qualquer um destes antígenos através da vacinação ou por infecção. Por exemplo, os pesquisadores conseguiram gerar anticorpos anti-HIV a partir de células B isoladas de pacientes isentos de HIV.

A expectativa é que a nova técnica ajude a produzir rapidamente anticorpos terapêuticos para o tratamento de doenças infecciosas e outras condições como o câncer.

"Especificamente, [a técnica] deverá permitir a produção destes anticorpos dentro de um período de tempo mais curto in vitro e sem a necessidade de vacinação ou doação de sangue/soro de indivíduos recentemente infectados ou vacinados," disse Batista. "Além disso, nosso método oferece o potencial para acelerar o desenvolvimento de novas vacinas ao permitir uma avaliação eficiente de candidatos a antígenos-alvo".

A técnica foi descrita em um artigo publicado no The Journal of Experimental Medicine.


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