16/02/2009

Descobertas variantes genéticas que influem na hipertensão

Agência Fapesp
Descobertas variantes genéticas que influem na hipertensão
Estudo internacional publicado na Nature Genetics identifica pela primeira vez variantes genéticas envolvidas com a pressão sanguínea
[Imagem: Fapesp]

Genética da hipertensão

Um novo estudo internacional acaba de identificar as primeiras variantes genéticas envolvidas na hipertensão. As variantes podem representar uma estratégia para lidar com o problema.

A pesquisa foi publicada neste domingo (15/2) no site da revista Nature Genetics. Pressão alta é um dos principais fatores de risco de doenças cardiovasculares e de outros problemas graves, como derrame e insuficiência renal.

Thomas Wang e seus colegas do Instituto Nacional de Coração, Pulmão e Sangue realizaram uma ampla análise genômica de indivíduos europeus e identificaram duas variantes comuns que afetam a pressão sanguínea.

Proteínas do coração

As variantes estão localizadas em genes que codificam proteínas produzidas pelo coração e pelos vasos sanguíneos, chamadas peptídeos natriuréticos, que regulam o processo de excreção de sal pela urina.

Desde a descoberta de que o coração secreta uma família de hormônios que atuam no relaxamento de vasos sanguíneos e promovem a remoção do excesso de sal - em uma resposta cardiovascular a algum tipo de estresse -, tem-se especulado que os peptídeos natriuréticos possam estar envolvidos na regulagem da pressão sanguínea em humanos.

Segundo a nova pesquisa, os efeitos que as variantes genéticas (chamadas NPPA e NPPB) podem ter na pressão sanguínea é muito significativo. Agentes terapêuticos que possam atuar no sistema de produção de peptídeos natriuréticos e que, portanto, resultem em tratamento eficiente contra a hipertensão já estão sendo avaliados na continuação do estudo.

Estudos feitos com animais em que o gene NPPA foi "nocauteado", deixando de funcionar, apontaram um aumento na pressão sanguínea.

Bases genéticas da hipertensão

"Sabe-se que a hipertensão é comum entre pessoas de uma mesma família e algumas síndromes genéticas raras que elevam a pressão sanguínea já foram identificadas. Mas tem sido difícil estabelecer as bases genéticas comuns para esse problema que afeta 1 bilhão de pessoas em todo o mundo", disse Christopher Newton-Cheh, do Centro de Pesquisa em Genética Humana do Hospital Geral de Massachusetts, um dos autores do estudo.

"Ainda é cedo para dizer que o exame de níveis de peptídeos natriuréticos ou de variantes genéticas possa diagnosticar o risco de hipertensão, mas no futuro poderá ser possível tratar pessoas com deficiência dessas proteínas com terapias que possam restaurar seus níveis normais e, com isso, reduzir o risco", disse Wang.

"Provavelmente serão descobertos muitos outros genes que contribuem para alterações na pressão sanguínea. O maior desafio será compreender os mecanismos por trás desses efeitos", disse Newton-Cheh. Wang e Newton-Cheh, os dois principais autores do estudo, também são professores na Escola Médica Harvard.

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