10/11/2021

Implante cerebral devolve visão para paciente cega há 16 anos

Redação do Diário da Saúde
Implante cerebral devolve visão para paciente cega há 16 anos
Esquema do implante de visão artificial e foto da paciente operando o sistema.
[Imagem: Eduardo Fernández et al. - 10.1172/JCI151331]

Implante cortical

Uma equipe de engenheiros, médicos e cientistas criou uma forma de visão artificial usando um implante cerebral.

O implante, já testado com sucesso em uma mulher que perdeu a visão já adulta, foi criado por uma equipe da Universidade Miguel Hernández (Espanha), do Instituto Holandês de Neurociência (Holanda) e da Universidade de Utah (EUA).

O pequeno implante, composto por uma série de eletrodos penetrantes, produziu uma forma simples de visão para a voluntária, no que a equipe afirma ser "um salto à frente para criar uma prótese cerebral visual para aumentar a independência dos cegos".

Um neurocirurgião implantou a matriz de microeletrodos, composta de 100 microagulhas, no córtex visual da paciente, para registrar e estimular neurônios ligados à visão.

A paciente usa óculos equipados com uma câmera de vídeo, enquanto um software especializado codifica os dados visuais coletados pela câmera e os envia para os eletrodos implantados no cérebro. A matriz então estimula os neurônios circundantes, fazendo-os produzir pontos brancos de luz, conhecidos como fosfenos, que a paciente vê como uma imagem.

A mulher, de 58 anos de idade, é uma ex-professora de ciências, que ficou completamente cega há 16 anos. Devido ao seu amplo envolvimento e colaboração com a equipe, ela também é coautora do artigo científico que descreve o avanço.

Visão geométrica

Com a ajuda do implante, a paciente consegue identificar linhas, formas e letras simples, criadas por diferentes padrões de estimulação dos eletrodos - os pesquisadores criaram um videogame para ajudá-la a aprender a usar a prótese e praticar.

"Estes resultados são muito empolgantes porque demonstram tanto a segurança quanto a eficácia [do implante] e podem ajudar a realizar um sonho de longa data de muitos cientistas, que é a transferência de informações do mundo exterior diretamente para o córtex visual de indivíduos cegos, restaurando assim uma forma rudimentar de visão," disse o professor Eduardo Fernández.

"Embora estes resultados preliminares sejam muito encorajadores, devemos estar cientes de que ainda há uma série de questões importantes sem resposta e que muitos problemas precisam ser resolvidos antes que uma prótese visual cortical possa ser considerada uma terapia clínica viável," ressaltou ele.

No prosseguimento dos trabalhos, um dos objetivos da equipe é dar a uma pessoa cega mais mobilidade, o que eles esperam conseguir com sistema codificador de imagens mais sofisticado, capaz de estimular mais eletrodos simultaneamente e gerar imagens mais complexas.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Visual percepts evoked with an Intracortical 96-channel microelectrode array inserted in human occipital cortex
Autores: Eduardo Fernández, Arantxa Alfaro, Cristina Soto-Sánchez, Pablo González-López, Antonio M. Lozano Ortega, Sebastian Peña, María Dolores Grima, Alfonso Rodil, Bernardeta Gómez, Xing Chen, Pieter R. Roelfsema, John D. Rolston, Tyler S. Davis, Richard A. Normann
Publicação: Journal of Clinical Investigation
DOI: 10.1172/JCI151331
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