07/06/2019

Pele de tilápia usada no tratamento de queimados irá ao espaço

Redação do Diário da Saúde
Pele de tilápia usada no tratamento de queimados irá ao espaço
A pesquisa para a criação de curativos de tilápia para queimaduras está sendo desenvolvida na Universidade Federal do Ceará.
[Imagem: Viktor Braga/UFC]

Pele de tilápia para queimaduras

Uma técnica simples, barata e menos dolorosa para o tratamento de queimaduras de segundo e terceiros graus poderá ser incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A pesquisa sobre o uso da pele de tilápia para o tratamento de queimados foi desenvolvida pelo médico Marcelo Borges, com apoio da Universidade Federal do Ceará.

A expectativa do médico é expandir o tratamento para todo o Brasil - de forma experimental, o tratamento está sendo usado no Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Pernambuco .

Segundo ele, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda analisa a eficácia da tecnologia. Somente após a aprovação da agência a técnica poderá ser utilizada em hospitais públicos que trabalham com tratamento de queimados.

Curativo de tilápia

A pele de tilápia pode ser mantida nas queimaduras por vários dias e tem duas vezes mais colágeno do que a pele humana. Por isso, ela melhora a cicatrização, evita infecções e perda de líquidos e proteínas.

"A tilápia funciona como um curativo biológico, ela tampona a ferida, ela veda, ela adere como se fosse uma cola, permanece por vários dias. Isso faz com que haja uma redução tremenda no risco de infecção, mas sobretudo uma grande redução da dor que é bem característica no tratamento das queimaduras," destacou o Dr. Marcelo .

Cerca de 97% dos queimados são tratados pelo SUS. Atualmente, os hospitais públicos do Brasil usam pele de cadáver para recuperação inicial desses pacientes. Segundo Marcelo, a pele de tilápia poderá ser empregada na fase de cicatrização das feridas.

Pele de tilápia no espaço

O grupo de pesquisa já se prepara para voos bem mais altos. Em um acordo com a NASA, agência espacial dos EUA, amostras de pele de tilápia serão enviadas ao espaço para a realização de testes, a bordo de pequenos satélites conhecidos como cubesats.

O objetivo é analisar como a pele de tilápia se comporta em condições diferentes de pressão atmosférica, radiação e gravidade. "Eles vão levar a pele de tilápia para colocar na estratosfera e, após essa exposição, vamos comparar para verificar se houve alguma alteração na estrutura, (...) se as propriedades da pele se mantêm ou são alteradas," explica o Prof. Odorico de Moraes.

Espera-se que esses testes forneçam informações importantes para futuras aplicações da pele de tilápia, como, por exemplo, em próteses internas no corpo humano. Além da eficácia no tratamento de queimados, a pele de tilápia também tem sido aplicada com êxito em cirurgias ginecológicas. Recentemente, em um procedimento inédito no mundo, a pele foi usada na reconstrução vaginal após a redesignação sexual de uma paciente trans.


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