Técnica de edição genética CRISPR/Cas9 causa danos extensos ao DNA

Técnica de edição genética CRISPR/Cas9 causa danos extensos ao DNA
O ponto alto da fama da CRISPR/Cas9 ocorreu quando cientistas afirmaram ter apagado uma doença cardíaca genética usando a técnica. Contudo, esse estudo foi posteriormente questionado por outros cientistas, fato que não teve a mesma repercussão midiática que o "feito" original.
[Imagem: Wikimedia]

Decepção com a edição genética

A técnica de manipulação genética conhecida como CRISPR-Cas9, desenvolvida a parte de 2011, ficou rapidamente conhecida do público graças ao anúncio de um grande leque de "possibilidades promissoras" nos tratamentos de saúde, apesar dos muitos problemas éticos relacionados - a edição de embriões humanos, por exemplo.

A CRISPR/Cas9 pode alterar seções do DNA nas células cortando-o em pontos específicos e introduzindo mudanças naquele local. Já amplamente utilizada em pesquisas científicas, a CRISPR/Cas9 também tem sido vista como uma maneira promissora de criar tratamentos potenciais de edição genética para doenças como HIV, câncer ou doença falciforme. Antes disso, porém, qualquer potencial tratamento precisa provar que é seguro.

Agora, pesquisadores demonstraram que a edição genética CRISPR/Cas9 pode causar nas células danos genéticos muito maiores do que se pensava.

Os resultados revelam questões de segurança para as terapias genéticas usando a técnica que várias equipes ao redor do mundo estão desenvolvendo, uma vez que os danos inesperados podem levar a mudanças perigosas em algumas células.

Relatado na revista Nature Biotechnology, o estudo também revelou que os testes padrão para detectar mudanças no DNA não mostram esse dano genético gerado pela técnica, o que exige cautela e o desenvolvimento de testes específicos para avaliar qualquer potencial terapia genética que utilize a CRISPR/Cas9.

Efeitos negativos da CRISPR/Cas9

Pesquisas anteriores já haviam revelado algumas mutações imprevistas no DNA no local alvo da edição do genoma pela nova técnica. Para investigar isso ainda mais a fundo, pesquisadores do Instituto Wellcome Sanger (Reino Unido) realizaram um estudo sistemático completo em células humanas e de animais de laboratório e descobriram que a CRISPR/Cas9 frequentemente causa mutações extensas, não junto ao local editado, mas a uma distância maior, provavelmente a razão pela qual elas não apareceram nos estudos anteriores.

Muitas das células apresentaram grandes rearranjos genéticos, incluindo deleções e inserções não programadas de DNA. Essas alterações podem ligar ou desligar genes importantes, o que pode afetar o uso da CRISPR/Cas9 em terapias. Além disso, algumas dessas mudanças surgiram muito distantes do local da edição para serem vistas com métodos de genotipagem padrão.

"Esta é a primeira avaliação sistemática de eventos inesperados resultantes da edição pela CRISPR/Cas9 em células terapeuticamente relevantes, e descobrimos que as alterações no DNA foram seriamente subestimadas antes. É importante que qualquer pessoa que pense em usar esta tecnologia para a terapia genética prossiga com cuidado, e olhe com muito cuidado para verificar possíveis efeitos nocivos," disse o professor Allan Bradley.

O trabalho provavelmente irá reacender o interesse dos pesquisadores em encontrar alternativas para edição genética, passado o entusiasmo com o aspecto "definitivo" do método CRISPR/Cas9.


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