Temos o poder para parar a evolução - Será que devemos usá-lo?

Temos o poder para parar a evolução - Será que devemos usá-lo?
Será que podemos prever a evolução biológica da vida? Qualquer que seja a resposta, aplicar a teoria da evolução aos humanos é complicado.
[Imagem: CC0 Creative Commons/Pixabay]

Luta antievolução

Mutações genéticas indesejadas estão minando a segurança alimentar e a medicina. A ciência já dispõe de algumas ferramentas para controlar essa evolução indesejada, e utilizá-las é tentador.

O problema é que essa manipulação da evolução terá consequências não intencionais difíceis - ou mesmo impossíveis - de prever.

Foi o que se viu recentemente, com a técnica CRISP/Cas9 causando danos extensos ao DNA, apesar de ser aclamada pela comunidade científica como o instrumento estado da arte para essa luta antievolução.

Você pode ver a evolução como malévola, causando câncer e doenças genéticas incuráveis. Ou pode vê-la como majestosa, tendo criado a vida na Terra e desenvolvido do pescoço da girafa a um tipo de macaco - nós - inteligente o bastante para contemplar como a vida evolui.

De fato, a evolução pode ser vista a longo prazo, lenta e inexorável. Mas ela também pode ser rápida e furiosa. Ela está acontecendo aqui e agora - e isso ameaça o futuro da civilização que construímos.

A evolução rápida explica o ressurgimento de pragas que pensávamos estar sob controle, incluindo baratas e percevejos. Isso prejudica a segurança alimentar e está colocando em risco a medicina moderna, com o desenvolvimento de resistência dos patógenos aos medicamentos. Isso vem acontecendo desde o alvorecer da civilização, mas, à medida que mudamos o mundo cada vez mais rapidamente, nossa corrida armamentista contra a evolução aumenta. Há muito que procuramos formas de nos mantermos um passo à frente.

Agora, chegamos a um momento crucial - estamos desenvolvendo as ferramentas para interromper a evolução. O Nobel de Química deste ano premiou a "evolução dirigida".

No centro do novo kit de ferramentas está justamente a tecnologia de edição genética chamada CRISPR, que já foi usada para reverter a resistência aos antibióticos em laboratório, e há planos para tentar a abordagem nos hospitais. A CRISPR também pode impedir que mutações indesejadas aconteçam, embora ela não tenha um foco tão bom quanto se acreditava inicialmente.

Essas super-armas antievolução podem encontrar aplicações na fabricação de alimentos, para evitar que os micróbios usados em fermentadores percam sua potência. Elas podem até impedir que plantas e animais selvagens desenvolvam características indesejáveis para os humanos - as plantas transgênicas e os animais transgênicos já são uma realidade, apesar de muitos alertas e pouco conhecimento da população sobre o assunto.

Se assumir o controle da evolução parece atraente e lucrativo para algumas celebradas startups, certamente haverá consequências não intencionais.

Se há uma coisa que sabemos com certeza é que a evolução sempre encontra um caminho. Há uma enorme oportunidade aqui, mas também há riscos. Precisamos conversar sobre essa tecnologia para decidir como queremos proceder e se devemos mesmo entrar nessa nova fase de influência do ser humano sobre o meio ambiente e a vida como um todo.


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