29/09/2021

Exame de sangue poderá no futuro indicar presença de Alzheimer

Redação do Diário da Saúde
Exame de sangue poderá no futuro indicar presença de Alzheimer
O exame de microscopia eletrônica permite visualizar as proteínas amiloide e tau na superfície dos glóbulos vermelhos.
[Imagem: Peter Niraj Nirmalraj et al. - 10.1126/sciadv.abj2137]

Exame de sangue para Alzheimer?

Há muita controvérsia na comunidade médica e científica sobre o papel exato dos peptídeos beta-amiloides e das proteínas tau nas doenças neurodegenerativas, sobretudo o Alzheimer.

O que todos concordam é que, para conhecer esse papel, é necessário primeiro detectar esses compostos de maneira não-invasiva.

Os métodos atuais permitem a determinação da quantidade total de ambas as proteínas nos fluidos corporais, mas essas técnicas não permitem a visualização de diferenças na forma e na condição das proteínas acumuladas.

A equipe do professor Peter Nirmalraj, do instituto suíço EMPA, conseguiu agora, pela primeira vez, desenvolver uma tecnologia que permite observar no sangue as beta-amiloide e tau, com resolução em escala nanométrica e sem destruir a estrutura e a morfologia das proteínas.

A nova técnica, baseada em microscopia eletrônica, consegue não apenas detectar a presença das proteínas suspeitas, mas também determinar sua forma e suas quantidades.

Exame de beta-amiloide e tau no sangue

Para o estudo piloto, a equipe examinou amostras de sangue de 50 pacientes e 16 indivíduos saudáveis. Usando a tecnologia AFM (microscópio de força atômica), os pesquisadores analisaram a superfície de cerca de 1.000 glóbulos vermelhos por pessoa, sem saber nada sobre o estado de saúde de cada uma.

"Essa era a única maneira de garantir que a interpretação dos dados permanecesse objetiva," justificou Nirmalraj.

A equipe mediu o tamanho, a estrutura e a textura das acumulações de proteínas encontradas nas células sanguíneas. Depois de milhares de glóbulos vermelhos, a equipe partiu então para a tão aguardada comparação entre pessoas saudáveis e pacientes com Alzheimer.

O potencial do novo exame ficou claro quando os resultados "cegos" obtidos pela equipe foram comparados com os dados clínicos dos neurologistas.

De fato, os pesquisadores conseguiram discernir um padrão que combina com o estágio da doença dos pacientes: Pessoas com doença de Alzheimer tinham grandes quantidades de fibras de proteína compostas de peptídeos beta-amiloides e proteínas tau, que formavam fibras com várias centenas de nanômetros de comprimento. Nos indivíduos saudáveis ou com distúrbios cerebrais incipientes, no entanto, apareceram apenas algumas fibras.

Muito trabalho pela frente

"Se um teste de sangue confiável puder ser desenvolvido com base neste método, as pessoas com suspeita de Alzheimer seriam poupadas da desagradável punção do canal espinhal para serem capazes de diagnosticar a doença de forma confiável," disse Nirmalraj.

No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer antes que um simples exame de sangue esteja disponível para detectar Alzheimer. O próximo passo da pesquisa será corroborar os dados estudando um número maior de voluntários em diferentes estágios da doença, cruzando os dados da nova técnica com as análises químicas tradicionais.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Spatial organization of protein aggregates on red blood cells as physical biomarkers of Alzheimer’s disease pathology
Autores: Peter Niraj Nirmalraj, Thomas Schneider, Ansgar Felbecker
Publicação: Science Advances
Vol.: 7, Issue 39
DOI: 10.1126/sciadv.abj2137
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