Homens e mulheres são diferentes também quando o assunto é câncer

Homens e mulheres são diferentes também quando o assunto é câncer
Aos poucos os cientistas têm percebido as diferenças: As mulheres vivem mais do que os homens, mas elas têm mais doenças autoimunes. Já os homens se recuperam mais rapidamente da gripe.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Câncer também é questão de gênero

Levar em conta se o paciente é homem ou mulher não tem sido uma grande preocupação no campo das pesquisas sobre o câncer, apesar do crescente interesse nas chamadas "medicina de precisão" e "medicina personalizada" e da acumulação de evidências de que o sexo é um fator importante não apenas quanto ao risco das doenças, mas também da resposta aos tratamentos.

"Com os esforços para incluir aspectos sexuais na pesquisa biomédica em abundância em outras áreas, como a medicina cardiovascular, já é hora para que nós, no campo da oncologia, levemos isso em conta," alerta a Dra Anna Dorothea Wagner, da Universidade de Lausanne, na Suíça.

E ela não está sozinha: A Sociedade Europeia para Oncologia Médica (ESMO) irá patrocinar uma conferência lá mesmo, na Suíça, de 30 de novembro a 1 de dezembro deste ano, para levantar todas as pesquisas de oncologia que levam o sexo do paciente em conta.

A expectativa é que uma gama multidisciplinar de especialistas se reúna para discutir os conceitos e métodos da medicina de gênero e suas implicações para a prática clínica e as pesquisas sobre o câncer.

Diferenças nas doenças entre homens e mulheres

A própria Dra Anna Wagner já documentou várias áreas nas quais as diferenças de gênero são reconhecidas, mas ainda pouco compreendidas quanto à sua participação nas enfermidades, incluindo a composição corporal, as diferenças hormonais, a composição genética e o metabolismo.

Por exemplo, as mulheres experimentam maior toxicidade com certos tipos de medicamentos, o que é provavelmente o resultado de sua metabolização diferente da dos homens, devido a fatores que podem variar de níveis mais altos de gordura corporal a diferenças na atividade de enzimas que metabolizam as drogas.

"A toxicidade é um problema em si mesma, até porque ela pode levar os pacientes com câncer a descontinuar o tratamento," explicou Anna.

No caso da quimioterapia, no entanto, onde a toxicidade é geralmente correlacionada com a resposta ao tratamento, taxas mais baixas de toxicidade observadas em homens poderiam ser interpretadas como um sinal de subdosagem relativa, o que pode ajudar a explicar seu pior prognóstico em vários tipos de câncer. "Isso certamente merece uma investigação mais aprofundada, já que as estratégias de tratamento específicas a cada gênero podem ser capazes de melhorar os resultados, em particular no que diz respeito a doses e tipos de drogas," disse Anna.

Outra preocupação diz respeito ao próprio desenvolvimento de medicamentos, onde não têm tido muito sucesso os esforços para trazer mais mulheres para os ensaios clínicos de fase I e fase II, tradicionalmente com maioria de voluntários homens - o número de voluntários e pacientes do sexo feminino fica em torno de 37%. Além disso, quase dois terços dos ensaios clínicos ainda não apresentam resultados separados por gênero.


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