
Lado espiritual da Medicina
Pessoas que vivem com doenças neurológicas, como Parkinson, demência e epilepsia, enfrentam não apenas o declínio físico, mas também questões profundas sobre identidade, propósito e significado, tanto da vida quanto da morte.
Acontece que os médicos, sobretudo aqueles das especialidades que os atendem, não possuem o treinamento e as "ferramentas" adequadas para atender a essas necessidades dos seus pacientes.
Enquanto isso, pesquisadores de várias áreas já se convenceram da necessidade de se incluir a avaliação e o acompanhamento espiritual como parte da rotina clínica no cuidado de pacientes com doenças neurológicas.
Indu Subramanian e colegas da Universidade da Califórnia de Los Angeles, estão propondo então que todos os profissionais de saúde que lidam com doenças neurológicas recebam o treinamento para que possam atuar como "generalistas espirituais", utilizando ferramentas simples para identificar necessidades existenciais que impactam diretamente o tratamento e o bem-estar do paciente.
O objetivo não é substituir os terapeutas, psicólogos ou líderes espirituais, mas evitar que os médicos tenham que continuar fugindo do tema "espiritual" durante as consultas, devido à falta de treinamento, restrições de tempo nas consultas ou mero desconforto pessoal por não saber como lidar com o assunto. Afinal, nestes casos o silêncio pode agravar o sofrimento do paciente e reduzir sua qualidade de vida.
"As doenças neurológicas atacam justamente aquilo que define quem somos: Nossa memória, nossos movimentos, nossa capacidade de comunicação," disse Subramanian. "Nesse contexto, a espiritualidade do paciente não é periférica ao seu tratamento médico. Muitas vezes, ela é fundamental para a forma como ele lida com a situação, como encontra significado e como toma decisões sobre o tratamento."

Modelo Biopsicossocial-Espiritual
A pesquisa se fundamenta na expansão do modelo tradicional de cuidado, inserindo a espiritualidade como uma dimensão de saúde mensurável, ao lado dos fatores físicos, psicológicos e sociais.
A descoberta central do estudo é que o neurologista está em uma posição única para essa abordagem, já que ele lida com condições que forçam o paciente a buscar novos significados para a vida, além de compreender o conceito de finitude, ao qual todos os humanos estamos sujeitos.
Para viabilizar essa integração sem sobrecarregar a consulta, os pesquisadores recomendam três métodos práticos:
Assim, o papel do médico não será o de um conselheiro religioso, mas o de alguém capaz de validar as crenças do paciente e encaminhá-lo a especialistas, como capelães ou psicoterapeutas, quando necessário.
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