22/01/2019

Samba para o coração: Substância brasileira trata insuficiência cardíaca

Com informações da Agência Fapesp
Samba para o coração: Substância brasileira trata insuficiência cardíaca
A substância não apenas freia os efeitos da doença como causa melhora na capacidade do coração em bombear sangue.
[Imagem: Julio C. B. Ferreira et al. - 10.1038/s41467-018-08276-6]

Samba para o coração

Um grupo de pesquisadores brasileiros desenvolveu uma substância que freia o avanço da insuficiência cardíaca e ainda melhora a capacidade do coração em bombear sangue.

Animais de laboratório com quadro de insuficiência cardíaca tratados por seis semanas com a substância, batizada de Samba (acrônimo em inglês para "Antagonista Seletivo da Associação de Mitofusina 1 e Beta2PKC"), apresentaram não só uma estabilização da doença - como ocorre com os medicamentos atuais - como ainda tiveram uma regressão do quadro. Os animais tiveram melhora na capacidade de contração do músculo cardíaco.

A insuficiência cardíaca pode ocorrer em consequência de um infarto do miocárdio, quando uma artéria coronária entupida impede a oferta de sangue para parte do coração, sobrecarregando o restante do tecido. Como resultado, o órgão reduz ao longo do tempo sua capacidade de bombear sangue para o corpo.

Os pesquisadores já fizeram o pedido de patente da substância e da sua aplicação nos Estados Unidos. Ela pode eventualmente complementar ou mesmo substituir os medicamentos atuais usados para a insuficiência cardíaca, a maioria deles criada nos anos 1980.

Mitocôndria

A Samba tem a capacidade de impedir a interação entre uma proteína comum na célula cardíaca, a proteína Kinase Beta 2 (Beta2PKC), e a Mitofusina 1 (Mfn1), que fica dentro da mitocôndria, compartimento da célula responsável por produzir energia.

Quando interagem, a Beta2PKC desliga a Mfn1, impedindo a mitocôndria de produzir energia e, consequentemente, diminuindo a capacidade das células do músculo cardíaco de bombear sangue.

"Um dos achados importantes desse trabalho foi justamente essa interação, que até então não se sabia ser crítica na progressão da insuficiência cardíaca," disse Júlio César Ferreira, professor da Universidade de São Paulo e líder do estudo.

Testes

Depois de depositada a patente, a equipe espera que a substância possa ser testada em outras doenças cardiovasculares além da insuficiência cardíaca, já que ela pode ter ação em patologias como hipertensão.

"Suspeitamos que a interação entre essas proteínas seja, de modo geral, um processo conservado em outras doenças degenerativas que apresentam disfunção mitocondrial," disse Júlio César.

O próximo passo será disponibilizar a substância Samba para outros grupos de pesquisa poderem testá-la em diferentes doenças e modelos experimentais. Além disso, é necessário testar sua interação com outros medicamentos usados atualmente no tratamento da insuficiência cardíaca.


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