10/06/2022

Somos propensos a adotar crenças populares, mesmo que falsas

Redação do Diário da Saúde

O risco da popularidade

Como criaturas sociais, nós humanos nos importamos com o que os outros pensam. Não é à toa que somos influenciados pelo número de curtidas, corações e retuítes nas postagens nas redes sociais.

Parece "normal", mas há um lado ruim nisso: O mesmo mecanismo de se importar com a opinião alheia faz com que as pessoas adotem muito facilmente crenças falsas com base na popularidade dessas crenças.

E essa atração por crenças populares - sejam elas verdadeiras ou falsas - pode acelerar a disseminação de teorias da conspiração, ajudando-as a se tornarem virais.

"Nosso estudo mostra que as pessoas são mais propensas a adotar crenças pseudocientíficas e desinformadas quando acreditam que elas são mais populares," confirmou o professor Evan Orticio, da Universidade de Berkeley (EUA). "Estes resultados têm implicações importantes sobre como destacar informações sociais com 'curtidas' tem alta probabilidade de espalhar notícias falsas".

Fato ou ficção?

Em dois experimentos on-line separados, os pesquisadores perguntaram a mais de 600 adultos se eles estavam certos sobre declarações de fato ou ficção, como aquelas sobre humanos causando mudanças climáticas, vacinas causando autismo e Hillary Clinton liderando uma rede de tráfico sexual infantil a partir de uma pizzaria.

No geral, os participantes mostraram-se mais propensos a concordar ou discordar de uma afirmação (dizer se ela era fato ou ficção) depois de ver evidências de que a crença era mais popular do que esperavam. Alguns que estavam em dúvida sobre uma questão controversa mudaram de ideia com base apenas no número de curtidas que a declaração teria pretensamente recebido.

"Faz sentido para nós nos importarmos com o que as outras pessoas pensam, não apenas para se sujeitar [às normas], mas porque estamos procurando fontes confiáveis de informação," disse Orticio. "Mas pesquisas sugerem que notícias falsas tendem a viajar, segundo algumas estimativas, seis vezes mais rápido do que notícias baseadas em fatos no Twitter e em outras plataformas de mídia social."

Como se proteger contra notícias falsas?

O professor Orticio afirma que os resultados do estudo confirmam sua crença de que a responsabilidade de conter a disseminação da desinformação deveria recair principalmente sobre as próprias plataformas de mídia social. Um remédio, segundo ele, seria remover métricas de engajamento social, como curtidas, corações e retuítes, de postagens que foram identificadas como enganosas.

"Isso ocorre porque os algoritmos que as plataformas de mídia social usam para promover o que é mais envolvente ou que chama a atenção geralmente, frequentemente estão em desacordo com o que é realmente verdade no mundo, especialmente se alguém está propenso a se enterrar em câmaras de eco, onde todos concordam com você. Quando a desinformação recebe muitos 'gostei' ou retuítes, isso pode dar às pessoas uma impressão muito distorcida de quão comum essa crença realmente é - o que agora sabemos que pode afetar o quão crível eles próprios a consideram," acrescentou o pesquisador.

Em termos de providências que os próprios indivíduos poderiam tomar, os pesquisadores acham que muito pouco pode ser feito.

"Sabemos de pesquisas anteriores, em nosso laboratório e em outros lugares, que, uma vez que as pessoas estabelecem um certo nível de certeza sobre algo, geralmente há muito pouco que pode ser feito para mudar suas ideias," disse Orticio. "Elas se tornam menos curiosas e menos receptivas a evidências contrárias. Então, é melhor intervir cedo com informações confiáveis, antes que alguém tenha a chance de assumir certeza sobre uma crença desinformativa."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Social Prevalence Is Rationally Integrated in Belief Updating
Autores: Evan Orticio, Louis Martí, Celeste Kidd
Publicação: Open Mind
DOI: 10.1162/opmi_a_00056
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