23/10/2019

Substância ativada por luz destrói tumor e pode imunizar contra cânceres futuros

Redação do Diário da Saúde
Substância ativada mata tumor e pode imunizar contra cânceres futuros
A técnica promete uma nova ferramenta para os médicos usarem na luta contra o câncer, e potencialmente até vacinar pacientes contra futuros cânceres.
[Imagem: Pixabay]

Terapia fotodinâmica

Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu uma técnica que usa a luz para ativar um composto do elemento químico irídio que mata o câncer.

Embora os métodos atuais de tratamento dependam principalmente da presença de oxigênio, esse composto mata as células cancerígenas em cultura mesmo quando a concentração de oxigênio é baixa, uma condição conhecida como hipóxia.

A técnica promete uma nova ferramenta para os médicos usarem na luta contra o câncer, e potencialmente até vacinar pacientes contra futuros cânceres.

O eixo central da descoberta é a chamada terapia fotodinâmica (TFD), na qual a luz ativa um composto químico, chamado fotossensibilizador, que então cria elementos oxidantes que atacam as células cancerígenas. Usando esse método, os médicos podem direcionar a luz para regiões específicas do tumor e poupar o tecido normal.

"Há um interesse crescente em reduzir os efeitos colaterais do tratamento do câncer, tanto quanto possível, e qualquer coisa que possa ser seletiva quanto ao seu objetivo ajudará nisso," disse o professor Peter Sadler, da Universidade de Warwick (Reino Unido).

A técnica pode tratar qualquer tumor em que a luz possa ser administrada e seria particularmente adequada para tratar câncer de bexiga, pulmão, esôfago, cérebro e pele, segundo a equipe.

Resposta imunoterapêutica

Uma vez ativado pela luz, o composto de irídio ataca as máquinas produtoras de energia das células cancerígenas - uma coenzima vital chamada nicotinamida adenina dinucleotídeo (NADH) - e destrói cataliticamente essa coenzima ou a transforma em sua forma oxidada. As células cancerígenas têm uma exigência muito alta de NADH, porque precisam de muita energia para se dividir e se multiplicar rapidamente.

A equipe também observou que, à medida que as células cancerígenas morrem, elas mudam sua química de forma a gerar uma reação imune no organismo, o que é conhecido como resposta imunoterapêutica.

Isso sugere que pacientes tratados por essa técnica podem ser imunizados contra ataques do mesmo tipo de câncer - a chamada recidiva -, algo que a equipe pretende investigar mais em pesquisas futuras.

O próximo passo é desenvolver a técnica em modelos in vivo.

"O composto que desenvolvemos não seria muito tóxico, nós o aplicaríamos às células cancerígenas, daríamos um pouco de tempo para ele ser absorvido, depois o irradiaríamos com luz, ativando-o nessas células. A expectativa é que a morte dessas células cancerígenas ocorra muito rapidamente em comparação com os métodos atuais," acrescentou o professor Sadler.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Targeted photoredox catalysis in cancer cells
Autores: Huaiyi Huang, Samya Banerjee, Kangqiang Qiu, Pingyu Zhang, Olivier Blacque, Thomas Malcomson, Martin J. Paterson, Guy J. Clarkson, Michael Staniforth, Vasilios G. Stavros, Gilles Gasser, Hui Chao, Peter J. Sadler
Publicação: Nature Chemistry
DOI: 10.1038/s41557-019-0328-4

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