Você deixa uma primeira impressão melhor do que imagina

Você deixa uma primeira impressão melhor do que imagina
Se for com alguém conhecido, então é melhor falar coisas comuns para agradar na conversa. Afinal, amigos são melhores que morfina.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Hiato da simpatia

Em nossas vidas sociais, estamos constantemente engajados no que os pesquisadores chamam de "metapercepção", uma tentativa de descobrir como as outras pessoas nos veem.

Será que as pessoas acham que somos entediantes ou interessantes, egoístas ou altruístas, atraentes ou não?

Pois pode ficar tranquilo: Depois de conversarmos com novas pessoas, nossos parceiros de conversa gostam de nós e aproveitam nossa companhia bem mais do que imaginamos.

"Nossa pesquisa sugere que estimar com precisão o quanto um novo parceiro de conversa gosta de nós - apesar de ser uma parte fundamental da vida social e algo com o qual temos ampla prática - é uma tarefa muito mais difícil do que imaginamos," explica Erica Boothby, da Universidade de Cornell, que fez a pesquisa em conjunto com Gus Cooney (Universidade de Harvard) e Margaret Clark (Universidade de Yale).

"Nós chamamos isso de 'hiato da simpatia', e ele pode atrapalhar nossa capacidade de desenvolver novos relacionamentos," disse Clark.

Será que ele gostou de mim?

Em um experimento, participantes que não se conheciam foram pareados e deviam ter uma conversa de cinco minutos apresentando perguntas típicas para quebrar o gelo - De onde você é? Quais são seus hobbies? etc. No final da conversa, os participantes responderam perguntas que avaliavam o quanto eles gostaram do parceiro e o quanto achavam que o parceiro havia gostado deles.

Em média, os participantes gostaram mais do parceiro do que acharam que o parceiro havia gostado deles.

Como não é logicamente possível que, no grupo todo, cada um dos membros da dupla goste mais do seu parceiro do que o parceiro gosta deles, essa disparidade nas classificações médias indica que os participantes tenderam a cometer um erro de estimativa. De fato, análises das gravações em vídeo das conversas sugerem que os participantes não estavam levando em conta os sinais comportamentais de seus parceiros indicando interesse e prazer.

Em outro experimento, os participantes refletiram sobre as conversas que acabaram de ter. De acordo com suas avaliações, eles acreditavam que os momentos mais importantes que moldavam os pensamentos do parceiro sobre eles eram mais negativos do que os momentos que moldavam seus próprios pensamentos sobre o parceiro.

"Eles parecem estar muito envolvidos em suas próprias preocupações sobre o que deviam dizer ou disseram para ver os sinais de que os outros gostam deles, o que os observadores das conservações veem imediatamente," observou Clark.

Lacuna de afinidade

Experimentos adicionais mostraram que o hiato da simpatia surgiu independentemente de as pessoas terem tido conversas mais longas ou conversado em contextos do mundo real. E um estudo de colegas de faculdade reais mostrou que essa lacuna de afinidade está longe de ser passageira, perdurando por vários meses.

Os pesquisadores levantam a hipótese de que, quando há outra pessoa envolvida, como um parceiro de conversa, podemos ser mais cautelosos e autocríticos do que em situações em que estamos avaliando nossas próprias qualidades sem nenhuma outra fonte de informações.

Essa autocensura exageradamente crítica pode nos impedir de buscar relacionamentos com outras pessoas que realmente gostam de nós, afirmam eles.


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