
Memória episódica e memória semântica
Em uma descoberta que exigirá mudar os livros-textos, cientistas constataram que o funcionamento da memória é diferente do que os alunos têm aprendido na escola: Diferentes tipos de memória não usam diferentes partes do cérebro, podendo depender das mesmas regiões cerebrais.
Em vez de usar vias neurais separadas para recuperar diferentes tipos de informação, o cérebro parece ativar áreas sobrepostas, uma descoberta que deverá mudar a forma como a memória é definida e estudada.
Ao combinar experimentos baseados em tarefas com dados de ressonância magnética funcional (fMRI), a equipe não encontrou nenhuma diferença mensurável na atividade cerebral entre a recuperação da memória episódica e da memória semântica.
A memória episódica permite que as pessoas se lembrem de experiências passadas específicas que aconteceram em um determinado lugar e momento. É essa forma de memória que nos permite revisitar mentalmente momentos de nossas vidas, muitas vezes descrita como "viagem mental no tempo".
A memória semântica, por outro lado, envolve a recordação de fatos e conhecimento geral sobre o mundo. Essas memórias não estão ligadas ao momento ou lugar original em que a informação foi aprendida e podem ser acessadas independentemente desse contexto. A maioria das coisas que você aprende na escola são deste tipo.
"Nós ficamos muito surpresos com os resultados deste estudo, pois uma longa tradição de pesquisa sugeria que haveria diferenças na atividade cerebral entre a recuperação episódica e a semântica. Mas, ao utilizarmos neuroimagem para investigar isso em conjunto com o estudo baseado em tarefas, descobrimos que a distinção não existe e que há uma sobreposição considerável nas regiões cerebrais envolvidas na recuperação semântica e episódica," detalhou a professora Roni Tibon, que fez a descoberta com colegas das universidades de Nottingham e Cambridge (Reino Unido).

Procurando pela memória no cérebro
Para comparar diretamente o funcionamento desses dois tipos de memória, os pesquisadores desenvolveram tarefas cuidadosamente alinhadas para exigir separadamente os tipos de memória semântica e episódica - algumas refletiam conhecimento do mundo real, enquanto outros envolviam conhecimento que os voluntários aprenderam no próprio laboratório.
Durante essas tarefas, os participantes foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional (RMf), uma técnica não invasiva de imagem que mede a atividade rastreando as alterações no fluxo sanguíneo do cérebro. Quando regiões específicas do cérebro se tornam ativas durante tarefas como pensar, falar ou lembrar, elas recebem quantidades maiores de sangue rico em oxigênio. Isso permite produzir imagens 3D detalhadas, mostrando quais partes do cérebro estão envolvidas, auxiliando em estudos sobre a função cerebral, condições neurológicas e planejamento cirúrgico.
Mas as esperadas diferenças de ativação das regiões cerebrais simplesmente não apareceram - tudo aconteceu basicamente nos mesmos lugares.
Esta descoberta poderá ajudar a compreender melhor doenças como demência e Alzheimer, já que todo o cérebro parece estar envolvido nos diferentes tipos de memória - até agora, as intervenções eram pensadas visando áreas diferentes.
Até agora, a memória episódica e a memória semântica têm sido tratadas como sistemas separados, levando os pesquisadores a investigá-las independentemente. "Com base no que já sabíamos de pesquisas anteriores nessa área, esperávamos observar diferenças marcantes na atividade cerebral, mas qualquer diferença que observamos foi muito sutil. Acredito que esses resultados devem mudar o rumo dessa área de pesquisa e, com sorte, despertar um novo interesse em analisar ambos os lados da memória e como eles funcionam em conjunto," concluiu Tibon.
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