10/02/2026

Infarto não é evento isolado, envolvendo cérebro, coração e sistema imune

Redação do Diário da Saúde
Infarto não é evento isolado, envolvendo cérebro, coração e sistema imune
A descoberta conecta o coração, o cérebro e os sistemas nervoso e imunológico, abrindo caminho para novos tratamentos para os ataques cardíacos.
[Imagem: Augustine Lab/UC San Diego]

O novo mapa do infarto

Coração, cérebro e sistema imunológico são os elementos centrais de um novo "mapa do infarto", que acaba de ser delineado por médicos e cientistas da Universidade da Califórnia de San Diego (EUA).

Saurabh Yadav e seus colegas identificaram que o infarto do miocárdio não é um evento isolado no coração, mas sim um processo sistêmico que envolve uma comunicação direta entre o sistema cardiovascular, o cérebro e o sistema imunológico.

A novidade é que o dano cardíaco é amplificado por uma resposta nervosa que mobiliza as defesas do corpo de forma desordenada, que acaba se tornando uma resposta imune autodestrutiva.

Tradicionalmente, o infarto é tratado como um bloqueio mecânico do fluxo sanguíneo. No entanto, o corpo interpreta a lesão cardíaca como um ferimento grave. O cérebro, ao receber sinais de alerta, ativa o sistema imunológico para combater uma ameaça.

O problema é que, em um infarto, não há patógenos ou bactérias para destruir. Assim, essa superativação imunológica acaba atacando o próprio tecido cardíaco, agravando significativamente a extensão do dano original.

Nó nas comunicações

A pesquisa mapeou o que os cientistas chamam de circuito de nó triplo nas comunicações do corpo. O processo funciona da seguinte forma:

  • Detecção: Neurônios sensoriais no nervo vago detectam a lesão no coração.
  • Transmissão: Esses sinais são enviados a estruturas específicas no cérebro.
  • Resposta: O cérebro comanda a ativação do sistema imunológico.

A boa notícia é que dá para reorganizar essas comunicações, minimizando os danos do infarto. Ao realizar testes em modelos animais, a equipe conseguiu bloquear os sinais sensoriais e imunológicos que viajam entre o coração e o cérebro, o que resultou em uma redução drástica no dano pós-infarto, interrompendo a propagação da lesão a partir do seu epicentro.

Esta nova compreensão do infarto como um evento sistêmico abre caminho para terapias menos invasivas e mais abrangentes. Por exemplo, em vez de focar apenas em intervenções físicas no coração, como angioplastias e uso de anticoagulantes, o tratamento poderá envolver outras abordagens, incluindo a manipulação imunológica, por meio de fármacos que regulem a resposta do sistema imune logo após o evento cardíaco, ou o bloqueio dos sinais nervosos, usando terapias que "silenciem" a comunicação de dor ou lesão entre o coração e o cérebro, para evitar a inflamação sistêmica.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A triple node heart-brain neuroimmune loop underlying myocardial infarction
Autores: Saurabh Yadav, Van K. Ninh, Jonathan W. Lovelace, Jingrui Ma, Alexander Pham, Rebecca J. Salamon, Enyu Ji, Youngseo Na, Zhenxing Fu, Stephanie I. Ugochukwu, Wanning Cui, Ruchi Sehgal, Kevin R. King, Vineet Augustine
Publicação: Cell
DOI: 10.1016/j.cell.2025.12.058
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