
Atacando a fonte
Cientistas descobriram uma forma promissora de ajudar feridas crônicas a cicatrizarem mais rapidamente, incluindo feridas infectadas com bactérias resistentes a antibióticos.
Aaron Tan e colegas de Cingapura e da Suíça descobriram como uma bactéria largamente disseminada, a Enterococcus faecalis, interfere ativamente na capacidade do corpo para cicatrizar feridas. É um patógeno oportunista frequentemente encontrado em infecções crônicas, como úlceras do pé diabético. Essas feridas são notoriamente difíceis de tratar e frequentemente não cicatrizam, aumentando o risco de complicações graves e amputação.
A equipe descobriu que a E. faecalis se comporta de maneira diferente de muitas outras bactérias que infectam ferimentos: Em vez de depender principalmente de toxinas, ela libera espécies reativas de oxigênio (ROS), um subproduto metabólico que interrompe a função normal de cicatrização das células da pele humana. Por meio de um processo metabólico chamado transporte extracelular de elétrons, a bactéria produz continuamente peróxido de hidrogênio, uma espécie reativa de oxigênio que danifica fortemente o tecido vivo.
A boa notícia é que a equipe também demonstrou que bloquear esse processo permite que as células da pele se recuperem e fechem as feridas, vencendo as bactérias. Quando os pesquisadores trataram a pele infeccionada usando catalase, uma enzima antioxidante natural que decompõe o peróxido de hidrogênio, os níveis de estresse celular diminuíram, e as células recuperaram sua capacidade de migrar e cicatrizar a ferida.
Essa abordagem oferece uma maneira alternativa de lidar com infecções causadas por E. faecalis resistente a antibióticos: Em vez de tentar matar as bactérias com antibióticos, a estratégia se concentra em neutralizar as substâncias nocivas que as bactérias produzem.
"Nossos resultados mostram que o próprio metabolismo da bactéria é a arma, uma descoberta surpreendente e até então desconhecida pelos cientistas," disse professor Guillaume Thibault. "Em vez de focarmos em matar a bactéria com antibióticos, o que está se tornando cada vez mais difícil e gera mais resistência aos antibióticos, agora podemos neutralizá-la bloqueando os produtos nocivos que ela gera e restaurando a cicatrização de feridas. Em vez de atacar a fonte, neutralizamos a causa real das feridas crônicas: as espécies reativas de oxigênio."
A seguir, os pesquisadores planejam avançar para os ensaios clínicos em humanos, após identificarem a maneira mais eficaz de administrar os antioxidantes. Eles acreditam que curativos impregnados com antioxidantes, como a catalase, podem se tornar um tratamento eficaz no futuro.
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