29/11/2022

Aparelho repelente previne picadas de carrapatos

Redação do Diário da Saúde
Dispositivo repelente previne picadas de carrapatos
Protótipo do repelente contra carrapatos testado com sucesso pela equipe.
[Imagem: Eric L. Siegel et al. - 10.1371/journal.pone.0269150]

Inseticida contra carrapatos

Quando se trata de prevenir picadas de carrapatos - especialmente tendo em vista o aumento dramático nas doenças transmitidas por eles, como a febre maculosa - os tradicionais sprays repelentes de insetos até ajudam, mas estão longe de serem ideais.

Por exemplo, o DEET foi projetado para impedir que os extremamente rápidos pernilongos pousem em nossa pele, piquem e saiam voando novamente em segundos. Os carrapatos, por outro lado, além de não voarem, ficam esperando que toquemos neles, e então sobem lentamente pela nossa pele, onde picam e se alimentam, podendo permanecer por horas ou mesmo dias.

"Infelizmente, a maioria dos repelentes foi desenvolvida para mosquitos há mais de 75 anos, e não para carrapatos," contou o professor Stephen Rich, da Universidade de Massachusetts Amherst (EUA). "O DEET, o padrão ouro, funciona muito bem, mas um santo graal seria ter outra ferramenta de repelência - não um repelente de contato como o DEET, mas um repelente espacial - que funcione tão bem quanto ou melhor do que o DEET contra carrapatos."

O protótipo consiste em uma pequena câmara transparente equipada com três bastões de escalada verticais, por onde os carrapatos sobem para esperar pelas suas vítimas. Os bastões, contudo, recebem os piretroides sintéticos transflutrina e metoflutrina, que têm potencial de agir contra os carrapatos.

Os carrapatos não entram em contato direto com os repelentes, mas os ingredientes ativos criam uma espécie de "campo de força", que altera e retarda o progresso dos carrapatos em direção ao alvo.

Repelente contra carrapatos

Os primeiros testes mostraram que os dois repelentes espaciais foram eficazes em alterar o comportamento dos carrapatos, tornando-os menos propensos a subir verticalmente e mais propensos a se soltar ou cair do galho.

Os compostos foram testados contra os três principais carrapatos que picam humanos nos EUA: Ixodes scapularis (carrapato de patas pretas ou carrapato de veado), que pode disseminar a doença de Lyme e anaplasmose, entre outras doenças; Dermacentor variabilis (carrapato de cachorro americano), que pode transmitir febre maculosa e tularemia; e Amblyomma americanum (carrapato estrela solitária), que pode espalhar erliquiose e tem sido associado a uma alergia à carne vermelha.

Os experimentos mostraram que a transflutrina dissuadiu 75% do D. variabilis, 67% do A. americanum e 50% do I. scapularis. A metoflutrina foi ligeiramente mais eficaz, detendo 81% do D. variabilis, 73% do A. americanum e 72% do I. scapularis.

"Embora ainda tenhamos muito trabalho a fazer, essas descobertas inovadoras comprovam o princípio de que esses repelentes espaciais alteram o comportamento dos carrapatos de uma maneira que esperamos que leve a menos picadas de carrapatos," disse Rich.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Spatial repellents transfluthrin and metofluthrin affect the behavior of Dermacentor variabilis, Amblyomma americanum, and Ixodes scapularis in an in vitro vertical climb assay
Autores: Eric L. Siegel, Marcos Olivera, Esteban Martinez Roig, Melynda Perry, Andrew Y. Li, Sebastián D’hers, Noel M. Elman, Stephen M. Rich
Publicação: PLoS ONE
DOI: 10.1371/journal.pone.0269150
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