
Sozinho e misturado
O fato de um composto químico não fazer mal à saúde diretamente não significa que seu uso seja seguro, dizem cientistas.
Enquanto os poluentes ambientais são tipicamente avaliados individualmente, nos ambientes naturais eles quase sempre ocorrem em misturas - e é nessa mistura que mora o perigo.
Chan-Wei Yu e colegas da Universidade de Taiwan concentraram sua atenção nos níveis de exposição conhecidos como "níveis sem efeito adverso observado", que formam a base de muitos padrões de segurança química.
Eles descobriram que os nanoplásticos de poliestireno e o conservante butilparabeno, amplamente utilizados, podem causar danos reprodutivos que persistem por várias gerações, mesmo quando cada substância está presente em um nível considerado seguro individualmente. Quando testados individualmente, nem os nanoplásticos nem o butilparabeno causaram danos mensuráveis. Mas os resultados mudaram quando os dois contaminantes estavam presentes ao mesmo tempo.
Efeitos que passam para gerações futuras
Usando o verme microscópico Caenorhabditis elegans como organismo modelo, a equipe observou um declínio significativo na função reprodutiva que durou até quatro gerações. Esses efeitos foram detectados mesmo em descendentes que nunca haviam sido expostos diretamente a nenhum dos dois produtos químicos, indicando um impacto biológico hereditário. Os cientistas conseguiram rastrear essa hereditariedade, que envolve um marcador epigenético conhecido como trimetilação da histona H3K4, e a enzima SET-2.
"Nossos resultados mostram que as avaliações de segurança química baseadas em substâncias individuais podem subestimar os riscos ambientais reais, representados pelas misturas complexas com as quais os seres humanos estão expostos diariamente, disse a professora Vivian Liao. "Misturas em baixas doses podem interagir de maneiras inesperadas e deixar efeitos que persistem muito tempo depois do término da exposição."
Nanopartículas de poliestireno e butilparabeno são comumente detectadas juntas em efluentes de águas residuais e em águas superficiais, destacando a necessidade de que os efeitos da mistura e os impactos biológicos a longo prazo sejam incorporados na avaliação de riscos ambientais, para melhor proteger tanto os ecossistemas quanto as futuras gerações em todo o mundo, argumentam os pesquisadores.
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