07/02/2022

Declínio cognitivo nem sempre é sinal da doença de Alzheimer

Redação do Diário da Saúde
Declínio cognitivo nem sempre é sinal da doença de Alzheimer
Os cérebros de pessoas cognitivamente frágeis se assemelham mais aos cérebros de pessoas saudáveis do que do cérebro de adultos com doença de Alzheimer ou com um comprometimento cognitivo leve.
[Imagem: Ece Kocagoncu et al - 10.1523/JNEUROSCI.0697-21.2021]

Normalidade do envelhecimento

Ao primeiro sinal de problemas cognitivos é comum ouvir do médico uma sugestão apressada da doença de Alzheimer.

Mas uma cognição piorada pode fazer parte do espectro de normalidade na velhice, e não de uma patologia que precise ser tratada.

Ece Kocagoncu e seus colegas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) compararam os cérebros de adultos cognitivamente frágeis - pessoas com função cognitiva reduzida que não notaram problemas de memória - com os cérebros de adultos com comprometimento cognitivo leve ou com doença de Alzheimer, além de pacientes saudáveis, para comparação.

A equipe recrutou os adultos saudáveis e cognitivamente frágeis e mediram sua cognição com uma bateria de testes, sua estrutura cerebral com ressonância magnética, e sua atividade cerebral com EEG (eletroencefalografia) e MEG (magnetoencefalografia).

Cérebros saudáveis

Os resultados alcançados pelos adultos cognitivamente frágeis nos testes cognitivos foram similares aos de adultos com comprometimento cognitivo leve. E estes dois grupos se saíram pior do que os controles saudáveis.

Mas a estrutura do cérebro e a atividade cerebral dos adultos cognitivamente frágeis se assemelha às dos controles saudáveis: A atrofia em regiões como o hipocampo, típica em adultos com Alzheimer, não apareceu nesses adultos cognitivamente frágeis, o mesmo acontecendo com os controles saudáveis.

Assim, uma pior cognição pode fazer parte da faixa do envelhecimento normal e nem sempre é um sinal precoce da doença de Alzheimer, alertam os pesquisadores.

A fragilidade cognitiva pode depender de fatores de estilo de vida - muitos dos quais são reversíveis e modificáveis - como atividade física, estresse, educação e saúde cardiovascular.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Neurophysiological and Brain Structural Markers of Cognitive Frailty Differ from Alzheimers Disease
Autores: Ece Kocagoncu, David Nesbitt, Tina Emery, Laura Hughes, Richard N. Henson, James B. Rowe
Publicação: Journal of Neuroscience
DOI: 10.1523/JNEUROSCI.0697-21.2021
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