29/04/2008

Dor pélvica crônica tem tratamento gratuito

Agência USP

Tratamento multidisciplinar

O Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP) está oferecendo tratamento multidisciplinar para mulheres portadoras de dor pélvica crônica. No Ambulatório de Endoscopia Ginecológica, onde o atendimento funciona por meio de referenciamento médico das unidades de saúde, o movimento semanal estimado é de 50 pacientes. Das novas avaliações, 40% dos diagnósticos são de dor pélvica crônica.

Confusão no diagnóstico

De acordo com o médico Antônio Alberto Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, a doença tem alta incidência mas ainda carece de diagnóstico específico e tratamento apropriado. No diagnóstico, é freqüente a confusão entre a dor pélvica crônica e os incômodos causados pelo ciclo menstrual. "No tratamento, os procedimentos cirúrgicos específicos, tais como a laparoscopia, só devem ser utilizados em pacientes depois de excluídas a síndrome de intestino irritável e dor de origem miofascial como causa do incômodo", afirma o médico.

"Cesáreas de repetição"

O tratamento foi desenvolvido a partir de um estudo realizado pelo médico em 2000. À época, de 199 pacientes atendidas no ambulatório, 116 receberam indicação de laparoscopia para diagnóstico das causas de dor pélvica crônica. Das 116 mulheres, 67,2% eram casos de dor associados à realização de "cesáreas de repetição". As demais foram diagnosticadas como tendo endometriose, tumores, aderências pélvicas ou seqüelas de inflamação pélvica.

Com o estudo, Nogueira observou que mulheres submetidas a dois ou mais partos cesarianos eram propensas ao acometimento por dor pélvica crônica, independentemente de outros fatores. "Em grande parte destas laparoscopias nós não encontrávamos nenhuma alteração que pudesse estar associada com a dor", explica o professor.

Síndromes miofasciais

"Desse modo, começou-se a estudar mais especificamente outros fatores relacionados com a dor pélvica crônica, como as síndromes miofasciais (músculos e tecidos moles da parede abdominal e músculos associados à vagina e reto)". Segundo o médico, a doença é resultado de uma "interação complexa" entre os sistemas gastrintestinal, urinário, ginecológico, músculo-esquelético, neurológico, psicológico e endócrino, influenciada por fatores sócio-culturais.

O estudo resultou na ampliação da denominação dos serviços do Ambulatório de Endoscopia do HCRP para a inclusão da Dor Pélvica Crônica. Atualmente a equipe coordenada por Nogueira tem uma proposta de enfoque multidisciplinar para o tratamento da doença. Três fisioterapeutas que cursam pós-graduação e uma psicóloga auxiliam no tratamento.

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