10/06/2026

Cafeína pode roubar a profundidade do sono de alguns

Redação do Diário da Saúde

Cafeína e sono

O hábito de tomar café à noite tem gerado debate entre os especialistas há anos, e uma nova pesquisa usando eletroencefalografia (EEG) mostrou que há razões para preocupações.

James Chmiel e Donata Kurpas, da Universidade Médica da Breslávia (Polônia), usaram a EEG para observar o que acontece dentro do cérebro durante o sono, comparando pessoas que tomaram café com outras que não ingeriram nenhum tipo de cafeína à noite.

A conclusão é que o impacto da cafeína vai muito além de dificultar ou não o início do sono: Mesmo quando um voluntário dormia oito horas e acordava com a sensação subjetiva de ter descansado bem, a cafeína ainda reduzia a atividade de ondas lentas, um marcador biológico crucial da profundidade e do caráter restaurador do sono profundo.

Vários estudos já haviam mostrado que os efeitos da cafeína nem sempre se manifestam como sono mais curto ou dificuldade para pegar no sono. Muito mais frequentemente, as alterações dizem respeito à qualidade do descanso noturno. A cafeína pode reduzir a atividade de ondas lentas, o que aparece na forma de um padrão do EEG deslocado em direção a um cérebro em um estado mais próximo ao da vigília.

Isso significa que o corpo pode passar oito horas na cama, mas o cérebro pode não se regenerar completamente. E as pessoas muitas vezes não têm consciência disso: A sensação subjetiva de ter dormido bem nem sempre corresponde ao que se observa nas gravações neurofisiológicas.

As ondas lentas são um dos principais componentes do sono profundo, a fase responsável pela regeneração corporal, restauração dos recursos energéticos e funcionamento adequado do cérebro. Quando essa atividade é reduzida, o sono se torna mais "raso" e perde parte de seu poder restaurador.

Varia de indivíduo para indivíduo

Uma das conclusões mais interessantes da pesquisa é que há uma enorme variabilidade individual na resposta à cafeína. Genética, taxa metabólica, idade, níveis de estresse e fadiga crônica desempenham papéis importantes. Para algumas pessoas, até mesmo o café consumido pela manhã pode ser problemático para o sono, dependendo da quantidade total ingerida ao longo do dia e se o corpo tem tempo suficiente para metabolizá-lo antes da noite.

Os especialistas apontam que a cafeína melhora o estado de alerta e reduz a sensação de fadiga, mas seus efeitos podem às vezes se assemelhar a "pegar energia emprestada" às custas da regeneração noturna. Se a cafeína ajuda uma pessoa a funcionar durante o dia enquanto piora a qualidade da recuperação noturna, pode se desenvolver um círculo vicioso: Maior fadiga, maior necessidade de estimulação e pior sono. Por essa razão, a pesquisa moderna do sono está cada vez mais se afastando de perguntas simples sobre duração do sono e se concentrando em como o cérebro funciona durante o descanso noturno.

A cafeína, concluem os autores, não é boa nem ruim - é uma substância biologicamente ativa cujos efeitos dependem de dose, horário, idade, estilo de vida, qualidade do sono, carga de estresse e sensibilidade individual.

Checagem com artigo científico:

Artigo: The Caffeinated Brain Part 2: The Effect of Caffeine on Sleep-Related Electroencephalography (EEG)—A Systematic and Mechanistic Review
Autores: James Chmiel, Donata Kurpas
Publicação: Nutrients
DOI: 10.3390/nu18081220
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