17/03/2026

Imagens geradas por IA minam confiança nas instituições de caridade e ONGs

Redação do Diário da Saúde
Imagens geradas por IA minam confiança nas instituições de caridade e ONGs
Em vez de apoiar a causa, o público passa a discutir se a imagem é real ou não - e essas dúvidas contaminam a confiança na própria causa.
[Imagem: Cat Bartman]

IA tira confiabilidade

Se você trabalha em instituições de caridade ou instituições não-governamentais (ONGs) que dependem de doações, deve tomar um cuidado especial com o uso da inteligência artificial (IA), sobretudo de imagens de pessoas necessitadas geradas por IA.

Os pesquisadores Deborah Adesina e David Girling, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), constataram que o "atalho de alta tecnologia" para facilitar o trabalho dessas organizações está tendo um efeito contrário na empatia suscitada junto ao público pelas campanhas de caridade e doações.

Embora a IA ofereça uma maneira mais barata e rápida de produzir recursos visuais para as campanhas, ela aumenta o risco de romper o vínculo fundamental de confiança entre o público e as organizações de caridade.

Os dois pesquisadores analisaram centenas de comentários públicos sobre campanhas de 17 organizações, incluindo a Anistia Internacional, a Planejamento Internacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF). Essas campanhas incluíram 171 imagens geradas por IA.

Os resultados revelam uma mudança preocupante: Quando imagens geradas por IA são utilizadas nas campanhas, a causa humanitária praticamente desaparece da discussão, e os comentários passam a se centrar nos questionamento à própria imagem da campanha, mostrando que a introdução de imagens geradas por IA transforma fundamentalmente a maneira como o público interage com as organizações de caridade.

"As organizações de caridade existem porque as pessoas se importam com outras pessoas. No momento em que o público começa a questionar se o que está vendo é real, a conexão emocional que impulsiona o apoio fica em risco," destacou Girling.

Desvia a discussão para as imagens de IA

Quase 70% das imagens de IA analisadas foram projetadas para parecerem fotorrealistas. A pobreza foi o tema dominante, representando cerca de um terço das imagens (51 de 171), e frequentemente apresentando crianças, seguida por imagens com temas ambientais (35) e de direitos humanos (32).

Embora 85% das imagens tivessem legendas apropriadas indicando que foram geradas por IA, essa divulgação não protegeu a causa e as organizações de reações negativas, mesmo quando rotuladas de forma transparente.

O público adotou um "tom investigativo": Em vez de avaliar o trabalho da organização beneficente, os comentaristas se concentraram inteiramente em saber se as imagens eram artificiais ou não.

"O debate sobre a ética da IA está cada vez mais polarizado. A IA não é inerentemente errada, mas se começar a ofuscar a história humana que está no cerne do trabalho beneficente, as organizações podem perder muito mais em confiança do que ganhar em eficiência," concluiu Girling.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Artificial Authenticity
Autores: Deborah Adesina, David Girling
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