20/12/2021

Olho biônico implantável passa nos testes em cobaias

Redação do Diário da Saúde
Olho biônico implantável passa nos testes em cobaias
O aparelho foi projetado para "passar por cima" das células danificadas da retina.
[Imagem: Samuel C. Eggenberger et al. - 10.1016/j.biomaterials.2021.121191]

Olho biônico

Um olho biônico que está sendo desenvolvido por uma equipe de pesquisadores biomédicos das universidades de Sydney e Nova Gales do Sul (Austrália) se mostrou seguro e estável para implantação em um experimento com três meses de duração.

O experimento foi feito em cobaias, e é um passo necessário para testes clínicos em humanos.

Chamado Olho Biônico Phoenix99, o implante foi projetado para restaurar uma forma de visão para pacientes que vivem com deficiência visual grave e cegueira causada por doenças degenerativas, como retinite pigmentosa.

O aparelho possui dois componentes principais que precisam ser implantados: Um estimulador, acoplado ao olho, e um módulo de comunicação, posicionado sob a pele atrás da orelha.

Uma câmera muito pequena acoplada aos óculos captura a cena visual à frente do usuário. As imagens são processadas e enviadas sem fio através da pele para o módulo de comunicação da prótese. O implante recebe e decodifica o sinal fio, e então transfere as instruções para o módulo de estimulação, que entrega impulsos elétricos aos neurônios da retina.

Contornando a retina

Ele funciona estimulando a retina, a fina camada de neurônios sensíveis à luz que reveste a parte de trás do olho. Nos olhos saudáveis, as células em uma das camadas transformam a luz que entra em mensagens elétricas que são enviadas ao cérebro. Em algumas doenças da retina, as células responsáveis por essa conversão degeneram, causando deficiência visual.

O sistema contorna essas células com mau funcionamento, estimulando as células restantes diretamente, enganando o cérebro de forma eficaz, fazendo-o acreditar que a luz foi detectada.

Os pesquisadores usaram ovelhas para observar como o corpo responde e se cura quando o dispositivo é implantado, com os resultados permitindo um maior refinamento do procedimento cirúrgico.

A equipe de pesquisa está confiante de que o dispositivo pode ser testado em pacientes humanos. Eles agora solicitarão aprovação ética para realizar os ensaios clínicos em pacientes, à medida que continuam a desenvolver e testar técnicas avançadas de estimulação.

"É importante notar que descobrimos que o dispositivo tem um impacto muito baixo nos neurônios necessários para 'enganar' o cérebro. Não houve reações inesperadas do tecido ao redor do dispositivo e esperamos que ele possa permanecer no local com segurança por muitos anos," disse o professor Samuel Eggenberger.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Implantation and long-term assessment of the stability and biocompatibility of a novel 98 channel suprachoroidal visual prosthesis in sheep
Autores: Samuel C. Eggenberger, Natalie L. James, Cherry Ho, Steven S. Eamegdool, Veronika Tatarinoff, Naomi A. Craig, Barry S. Gow, Susan Wan, Christopher W.D. Dodds, Donna La Hood, Aaron Gilmour, Shannon L. Donahoe, Mark Krockenberger, Krishna Tumuluri, Melville J. da Cruz, John R. Grigg, Peter McCluskey, Nigel H. Lovell, Michele C. Madigan, Adrian T. Fung, Gregg J. Suaning
Publicação: Biomaterials
Vol.: 279, 121191
DOI: 10.1016/j.biomaterials.2021.121191
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