17/03/2026

Cientistas afirmam ter descoberto origem da doença de Parkinson no cérebro

Redação do Diário da Saúde
Cientistas afirmam ter descoberto origem da doença de Parkinson no cérebro
A descoberta contesta a visão científica majoritária sobre a doença de Parkinson e aponta para uma nova era de abordagens de tratamento mais precisas e direcionadas.
[Imagem: Jianxun Ren et al. - 10.1038/s41586-025-10059-1]

Endereço da doença de Parkinson

Uma equipe internacional de neurocientistas descobriu uma rede cerebral que eles acreditam ser o ponto central das disfunções causadas pela doença de Parkinson.

A doença de Parkinson é uma condição neurológica progressiva que afeta milhões de pessoas globalmente, manifestando-se através de tremores, rigidez motora e declínio cognitivo. Embora tratamentos atuais, como medicações de longo prazo e a estimulação cerebral profunda invasiva, sejam recomendados para tentar mitigar os sintomas, eles não são capazes de interromper o avanço da patologia ou oferecer uma cura definitiva.

O desafio reside no fato de que o Parkinson é uma doença multissistêmica, impactando não apenas o movimento, mas também o sono, a digestão e o pensamento, o que sugere que sua origem está em uma rede neural mais ampla do que se supunha anteriormente.

É justamente isso que Jianxun Ren e seus colegas acabam de confirmar, conforme eles identificaram a rede neural que eles batizaram de SCAN, sigla em inglês para rede de ação somato-cognitiva (SCAN: Somato-Cognitive Action Network). Ela está localizada no córtex motor e é responsável por traduzir intenções em movimentos físicos.

Tratamentos funcionaram

Os cientistas descobriram que o Parkinson está enraizado em uma conectividade excessiva entre a SCAN e o subcórtex, área ligada às emoções e à memória. Essa "fiação" anormal interrompe a coordenação entre o corpo e a mente.

A análise de dados de centenas de pacientes demonstrou que as terapias mais bem-sucedidas são justamente aquelas que conseguem reduzir essa hiperconectividade, restaurando o equilíbrio no circuito cerebral responsável por planejar e monitorar ações. Ao contrário das abordagens tradicionais, o direcionamento preciso de estímulos para essa área demonstrou uma eficácia duas vezes maior na redução de sintomas em comparação com a estimulação de regiões adjacentes.

"Este trabalho demonstra que a doença de Parkinson é um distúrbio da SCAN, e os dados sugerem fortemente que, se você direcionar a SCAN de forma personalizada e precisa, poderá tratar a doença de Parkinson com mais sucesso do que era possível anteriormente," disse o Dr. Nico Dosenbach, membro da equipe. "Alterar a atividade dentro da SCAN pode retardar ou reverter a progressão da doença, e não apenas tratar os sintomas."

Esta nova compreensão da doença de Parkinson abre caminho para tratamentos de precisão não-invasivos, como a estimulação magnética transcraniana direcionada com precisão milimétrica. No futuro, essa abordagem poderá permitir intervenções precoces, antes que procedimentos cirúrgicos sejam necessários, e o desenvolvimento de novas tecnologias, como o uso de ultrassom focado e eletrodos de superfície, para tratar problemas específicos de marcha e outras funções motoras de forma personalizada.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Parkinson’s disease as a somato-cognitive action network disorder
Autores: Jianxun Ren, Wei Zhang, Louisa Dahmani, Evan M. Gordon, Shenshen Li, Ying Zhou, Yang Long, Jianting Huang, Yafei Zhu, Ning Guo, Changqing Jiang, Feng Zhang, Yan Bai, Wei Wei, Yaping Wu, Alan Bush, Matteo Vissani, Luhua Wei, Carina R. Oehrn, Melanie A. Morrison, Ying Zhu, Chencheng Zhang, Qingyu Hu, Yilin Yin, Weigang Cui, Xiaoxuan Fu, Ping Zhang, Weiwei Wang, Gong-Jun Ji, Ji He, Kai Wang, Dongsheng Fan, Zhaoxia Wang, Teresa Kimberley, Simon Little, Philip A. Starr, Robert Mark Richardson, Luming Li, Meiyun Wang, Danhong Wang, Nico U. F. Dosenbach, Hesheng Liu
Publicação: Nature
DOI: 10.1038/s41586-025-10059-1
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