30/08/2018

Quando você rompe com seus objetivos, rompe para valer

Redação do Diário da Saúde
Quando você rompe com seus objetivos, rompe para valer
Quando as pessoas decidem romper com seus compromissos consigo mesmas - quebrar metas pessoais - elas não vão deixar barato.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Detonando as próprias metas

Quando decidimos violar uma meta que estabelecemos para nós mesmos - como economizar, fazer exercícios ou aderir a uma dieta - nós não deixamos barato: Violamos pra valer, indo ao extremo.

O que ocorre é que, quando as pessoas pensam em violar um objetivo pessoal, elas procuram tirar o máximo proveito dessa violação escolhendo a opção mais extrema. É como se quiséssemos gastar nossa culpa pela quebra do compromisso com algo que vale a pena de fato.

Para chegar a essa conclusão, a equipe da professora Kelly Goldsmith, da Universidade Vanderbilt (EUA), induziu e manipulou dezenas de voluntários para ver quem adotava uma meta, como perder peso ou economizar dinheiro, e depois quem aguentaria mantê-la. Para isso, os pesquisadores apresentaram aos participantes uma escolha entre opções que conflitavam com o objetivo assumido, como estadias em hotéis de luxo ou sobremesas deslumbrantes.

Os participantes que haviam firmado o compromisso (em comparação com aqueles que não o fizeram) e sucumbiram às tentações tenderam a escolher a opção mais indulgente: Os que estavam tentando economizar dinheiro escolheram o mais caro dos hotéis para umas férias hipotéticas, e aqueles que tentavam perder peso escolheram a sobremesa com mais calorias.

Fazer valer a pena

A princípio, esses resultados podem parecer contra-intuitivos, mas os autores realizaram mais experimentos para elucidar o processo de pensamento por trás dessas decisões aparentemente contraditórias.

Então eles descobriram que as pessoas que têm uma meta sentem-se em conflito ao escolher entre opções que violam o compromisso que assumiram consigo mesmas. Esse conflito faz com que elas busquem a opção que justifica a violação do seu objetivo, que geralmente é a escolha mais indulgente.

Em outras palavras, se qualquer uma das opções fizer com que a pessoas viole a meta, ela tende a aproveitar ao máximo a própria violação e escolher a opção mais indulgente - "Se é para quebrar o compromisso, então que seja pra valer".

"Isto implica que não se vai trocar a dieta por um biscoitinho - ou seja, um prazer comum, de baixo custo e baixa qualidade -, sendo muito mais provável que a pessoa o faça por um resultado que maximize a indulgência e, portanto, valha a pena," escreveram Goldsmith e seus colegas Ravi Dhar e Elizabeth Friedman, da Universidade de Yale, em um artigo publicado no Journal of Association for Consumer Research.


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