29/11/2021

Retardadores de chama associados ao autismo em pesquisa com animais

Redação do Diário da Saúde
Retardadores de chama associados ao autismo em pesquisa com animais
Apesar de ter sido feita em animais, a pesquisa mostra efeitos muito similares aos observados em humanos.
[Imagem: UCR/Elena V. Kozlova]

Retardadores de chama

Éteres difenílicos polibromados, ou PBDEs, são uma classe de produtos químicos retardadores de fogo que são onipresentes.

Eles são encontrados em estofados, tapetes, cortinas, eletrônicos, e até mesmo em produtos infantis.

O problema é que esses retardadores de chama "migram" dos produtos para a poeira doméstica com que entramos em contato. Considerados poluentes ambientais globais, eles já foram detectados na água, no solo, no ar, nos produtos alimentícios, nos animais e em tecidos humanos.

Ainda mais grave, esses compostos também são encontrados no leite materno de mulheres em todo o mundo.

PBDEs e autismo

Uma equipe de cientistas descobriu agora que, quando camundongos fêmeas são expostas a PBDEs, elas passam esses produtos químicos de desregulação neuroendócrina para sua prole - e a prole feminina apresenta traços relevantes do transtorno do espectro do autismo, ou TEA.

A habilidade de reconhecimento social de curto prazo e a memória social de longo prazo das filhotes são reduzidas significativamente, e elas apresentam um comportamento repetitivo que lembra o comportamento compulsivo humano, um sintoma central do TEA.

"Nossos dados apoiam uma ligação entre exposições tóxicas maternas e comportamento anormal social e repetitivo na prole de camundongos que é relevante para a TEA," resumiu a professora Margarita Collazo, da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA).

A equipe também descobriu que a discriminação olfativa dos odores sociais da prole feminina é significativamente comprometida.

"Os humanos dependem principalmente dos rostos para reconhecer as pessoas, e a maioria dos autistas apresenta défices no processamento da identidade facial," explicou Margarita. "Os camundongos, por outro lado, dependem do cheiro para reconhecimento social. A prole fêmea da camundongo-mãe exposta aos PBDEs apresentou défices olfativos que diminuíram sua capacidade de reconhecer outros camundongos. Na verdade, essas filhotes não distinguem camundongos desconhecidos de camundongos familiares. Humanos com autismo também apresentam capacidade olfatória anormal."

Existem alternativas

Em seguida, os pesquisadores examinaram os cérebros dos descendentes, especificamente a expressão do gene para a oxitocina, um neuropeptídeo envolvido na memória de reconhecimento social. Eles descobriram que a oxitocina e outros genes pró-sociais sofreram mudanças, sugerindo que os PBDEs têm como alvo sistemas cerebrais distintos para promover anormalidades no desenvolvimento neurológico.

"Isto mostra que a exposição ao PBDE no desenvolvimento produz traços neuroquímicos, olfativos e sociais relevantes para o TEA em filhotes de fêmeas adultas que podem resultar da reprogramação precoce do neurodesenvolvimento nas redes neurais sociais e de memória centrais," disse a pesquisadora Elena Kozlova, membro da equipe.

Como é praticamente impossível evitar o contato com esses produtos químicos, dada a sua disseminação, os pesquisadores afirmam que os legisladores precisam estar cientes de que existem alternativas seguras para esses produtos químicos tóxicos, como materiais não sintéticos que também funcionam como retardadores de chama.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Persistent autism-relevant behavioral phenotype and social neuropeptide alterations in female mice ofspring induced by maternal transfer of PBDE congeners in the commercial mixture DE-71
Autores: Elena V. Kozlova, Matthew C. Valdez, Maximillian E. Denys, Anthony E. Bishay, Julia M. Krum, Kayhon M. Rabbani, Valeria Carrillo, Gwendolyn M. Gonzalez, Gregory Lampel, Jasmin D. Tran, Brigitte M. Vazquez, Laura M. Anchondo, Syed A. Uddin, Nicole M. Huffman, Eduardo Monarrez, Duraan S. Olomi, Bhuvaneswari D. Chinthirla, Richard E. Hartman, Prasada Rao S. Kodavanti, Gladys Chompre, Allison L. Phillips, Heather M. Stapleton, Bernhard Henkelmann, Karl-Werner Schramm, Margarita C. Curras-Collazo
Publicação: Archives of Toxicology
DOI: 10.1007/s00204-021-03163-4
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