
Curativo contra o câncer no cérebro
Adesivos inovadores de base biológica, inspirados na capacidade de fixação dos mexilhões, mostraram-se capazes de eliminar cerca de 90% das células remanescentes de glioblastoma após a cirurgia.
O glioblastoma é o tumor cerebral mais prevalente e agressivo, caracterizado por um crescimento extremamente rápido e alta capacidade invasiva. Atualmente, não existe cura ou tratamento que interrompa sua progressão; o procedimento padrão envolve a retirada cirúrgica seguida de rádio e quimioterapia.
No entanto, a reincidência é quase certa, ocorrendo frequentemente em menos de um ano, devido à permanência de células malignas que sobrevivem à cirurgia e resistem aos tratamentos convencionais. A sobrevida do paciente diagnosticado é muito curta.
O novo bioadesivo foi projetado para ser aplicado diretamente no local da remoção do tumor. Seu princípio ativo, a catequina, um polifenol natural encontrado no chá verde e no cacau, consegue induzir a morte das células cancerosas restantes através de um forte estresse oxidativo.

Catequina
O adesivo fixa-se firmemente ao tecido cerebral úmido, permitindo uma liberação sustentada e localizada da substância terapêutica.
A catequina como agente principal mostrou-se a mais eficaz entre as opções testadas, já que essa substância aumenta drasticamente a produção de espécies reativas de oxigênio (ROS) nas células tumorais, levando-as à autodestruição.
Em comparação com a administração oral da catequina, que poderia causar efeitos colaterais sistêmicos indesejados, a aplicação local do adesivo concentra a ação do composto apenas na área necessária. Além da eficácia antitumoral, o material apresentou alta atividade antimicrobiana e excelente biocompatibilidade, o que auxilia na prevenção de infecções pós-operatórias e favorece a cicatrização.
Devido ao baixo custo de produção e à simplicidade de fabricação, os bioadesivos surgem como uma alternativa viável e escalável para reduzir as taxas de reincidência e melhorar o prognóstico de pacientes com diagnósticos cerebrais graves. Antes disso, porém, será necessário testá-los em pacientes.
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