Altruísmo e compaixão podem ser treinados

Altruísmo e compaixão podem ser treinados
Um treinamento mental adequado pode efetivamente cultivar a compaixão, o altruísmo e mesmo a disposição em cuidar dos semelhantes.
[Imagem: Thinkstock/kuarmungadd]

Comportamento pró-social

Sejam a mudanças climáticas e suas consequências, a crise de refugiados ou a distribuição injusta da riqueza, quando se busca soluções para esses desafios globais, as decisões dos indivíduos, como sua disposição de cooperar e realizar atos altruístas, são tão importantes quanto os acordos internacionais ou as leis nacionais.

Isso é o que os especialistas chamam de "comportamento pró-social", embora o termo "altruísmo" seja bem mais conhecido do público.

Como parece que estamos vivendo uma crise de sentimentos, seria muito bom se esse comportamento pró-social pudesse ser treinado, assim como o autocontrole pode ser treinado.

Foi isso que se dispuseram a pesquisar um grupo de psicólogos da Universidade de Wurzburg e do Instituto Max Planck de Ciências Humanas Cognitivas e do Cérebro (Alemanha).

Para isso, eles realizaram um estudo longitudinal que investigou a influência de vários treinamentos mentais sobre o comportamento pró-social ao longo de vários meses - estudo longitudinal é um método de pesquisa para analisa as variações nas caraterísticas dos mesmos indivíduos ao longo de um longo período de tempo.

O resultado é que um treinamento mental adequado pode efetivamente cultivar a compaixão, o comportamento motivado altruisticamente e mesmo a disposição em cuidar dos semelhantes.

"Fomos capazes de demonstrar que a prossocialidade humana é maleável e que diferentes aspectos da prossocialidade podem ser melhorados sistematicamente através de diferentes tipos de treinamento mental," detalhou a professora Anne Bockler Raettig, coordenadora do estudo.

Segundo ela, isso pode ser alcançado por meio de treinamentos que consistem em curtas práticas cotidianas, fáceis de implementar no dia a dia.

Treinamentos para o altruísmo e a compaixão

Ao longo de nove meses, os participantes passaram por diferentes tipos de treinamento mental baseados em meditação com o propósito de melhorar a empatia e o altruísmo.

Um módulo de treinamento lidava com o aumento da atenção no momento presente e da consciência corporal - semelhante ao que é ensinado nas aulas de redução do estresse baseadas na mente alerta. Um segundo módulo focava em habilidades socioafetivas, como compaixão, gratidão e motivação pró-social. O terceiro módulo foi sobre a flexibilidade cognitiva e a capacidade de entender as perspectivas de outras pessoas.

Todos os três tipos de treinamento apresentaram resultados entusiasmantes, lembrando que o comportamento pró-social é definido como um comportamento que custa algo para o indivíduo e é feito em benefício dos outros no nível individual ou de grupo.

Pesquisas sobre cooperação e altruísmo têm sido o foco de muitas disciplinas, da filosofia e psicologia até a matemática e economia, passando pela biologia evolutiva e pela neurociência.

Ainda assim, "surpreendentemente, pouco se sabe sobre se e como as motivações altruístas humanas podem ser treinadas," ressaltou Raettig.

Ela acredita que isso ocorre porque os modelos econômicos geralmente consideram a prossocialidade como uma preferência social estável, cuja maleabilidade os cientistas consideram irrelevante ao longo tempo, ou seja, que não varia. Este estudo mostrou o contrário, destacando que as pessoas podem ser treinadas para se importar mais com as outras.

Os resultados foram publicados na revista Nature Scientific Reports.


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