21/01/2026

Tagatose: Novo açúcar adoça sem as desvantagens habituais

Redação do Diário da Saúde
Tagatose: Novo açúcar adoça sem as desvantagens habituais
Ao contrário da sacarose (mostrada aqui), a tagatose tem 60% menos calorias, um efeito limitado no açúcar no sangue, devido ao metabolismo retardado no cólon, e pode beneficiar a saúde das bactérias intestinais e orais.
[Imagem: Dietmar Rabich]

Tagatose

Cientistas descobriram uma maneira de transformar glicose comum em um açúcar raro com sabor quase idêntico ao do açúcar de mesa, porém com muito menos desvantagens.

Há mais de um século, cientistas e empresas alimentícias têm buscado maneiras de replicar o sabor do açúcar sem seus malefícios à saúde, com opções que vão da sacarina no século XIX até alternativas como a estévia e a fruta-do-monge. O desafio tem sido encontrar algo que ofereça o sabor familiar do açúcar mas evite o excesso de calorias, as cáries e o aumento dos riscos de obesidade, resistência à insulina e diabetes.

Utilizando bactérias geneticamente modificadas como fábricas microscópicas, Aaron Love e colegas da Universidade de Tufts (EUA) conseguiram agora produzir tagatose de forma eficiente e barata, alcançando rendimentos muito superiores aos dos métodos atuais.

A tagatose oferece doçura quase idêntica à do açúcar, com significativamente menos calorias, impacto mínimo nos níveis de açúcar no sangue e até mesmo benefícios potenciais para a saúde bucal e intestinal. É um açúcar natural, mas que ocorre apenas em quantidades muito pequenas em comparação com açúcares comuns como glicose, frutose e sacarose. Por exemplo, a tagatose surge no leite e em outros laticínios quando a lactose se decompõe sob o calor ou a ação de enzimas, inclusive durante a produção de iogurte, queijo e kefir.

Pequenas quantidades de tagatose também estão presentes em frutas como maçãs, abacaxis e laranjas. No entanto, ela geralmente representa menos de 0,2% dos açúcares encontrados nessas fontes naturais. Devido a essa escassez, a tagatose geralmente é produzida industrialmente, em vez de ser extraída diretamente dos alimentos, mas os processos industriais são ineficientes e caros.

Tagatose: Novo açúcar adoça sem as desvantagens habituais
Processo de biossíntese do novo açúcar por meio de biotecnologia.
[Imagem: Aaron M. Love et al. - 10.1016/j.xcrp.2025.102993]

Biotecnologia para produzir açúcar

Para aumentar a eficiência da produção de tagatose artificial, a equipe desenvolveu uma nova estratégia de produção utilizando bactérias geneticamente modificadas.

"Desenvolvemos uma maneira de produzir tagatose modificando as bactérias Escherichia coli para que elas funcionem como pequenas fábricas, equipadas com as enzimas certas para processar grandes quantidades de glicose em tagatose. Isso é muito mais viável economicamente do que nossa abordagem anterior, que utilizava galactose, menos abundante e mais cara, para produzir tagatose," contou o pesquisador.

As bactérias foram geneticamente modificadas para incluir uma enzima recém-identificada em um bolor mucilaginoso, chamada fosfatase seletiva de galactose-1-fosfato (Gal1P). Essa enzima permite que as bactérias gerem galactose diretamente a partir da glicose. Outra enzima produzida pelas bactérias, conhecida como arabinose isomerase, converte então a galactose em tagatose.

As bactérias geneticamente modificadas conseguem converter glicose em tagatose com rendimentos de até 95%, uma grande melhoria em relação às técnicas de fabricação tradicionais, que normalmente atingem rendimentos que variam de 40 a 77%. A maior eficiência também torna o processo significativamente mais econômico.

Açúcar com benefícios?

A tagatose oferece cerca de 92% da doçura da sacarose (o açúcar de mesa), com aproximadamente 60% menos calorias. Ela foi classificada como "geralmente reconhecida como segura" pelo órgão de saúde norte-americano, o que significa que não há impeditivos até o momento para que ela seja usada em produtos alimentícios para o consumidor - esta classificação é a mesma de ingredientes comuns como sal, vinagre e bicarbonato de sódio.

Uma das razões pelas quais a tagatose pode ser benéfica para pessoas com diabetes é a forma como o corpo a processa. Apenas parte do açúcar é absorvida no intestino delgado, enquanto grande parte é fermentada pelas bactérias intestinais no cólon. Como resultado, a tagatose tem um efeito menor nos níveis de glicose e insulina no sangue do que o açúcar convencional. Estudos clínicos demonstraram aumentos pequenos na glicose plasmática ou na insulina após seu consumo.

A tagatose também pode contribuir para a saúde bucal. Ao contrário da sacarose, que alimenta as bactérias causadoras de cáries, a tagatose parece limitar o crescimento de alguns desses microrganismos nocivos. Pesquisas também sugerem que ela pode ter efeitos probióticos que promovem bactérias mais saudáveis tanto na boca quanto no intestino.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Reversal of the Leloir pathway to promote galactose and tagatose synthesis from glucose
Autores: Aaron M. Love, Christopher G. Toomey, Abhishek Kumar, Sukesh Narayan Kashyap, Dhinesh Kumar Santhamoorthy, Likith Muthuraj, Hannah L. Lynch, Parayil Kumaran Ajikumar, Pravin Kumar R., Nikhil U. Nair, Christine N.S. Santos
Publicação: Cell Reports Physical Science
Vol.: 6, Issue 12102993
DOI: 10.1016/j.xcrp.2025.102993
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