
Amiloides e tau
Ainda longe de encontrarem tratamentos para a doença de Alzheimer, os cientistas têm-se desgastado em discussões sobre suas causas e fontes dos principais sintomas, sem muitos progressos. Atualmente, a maioria dos dedos dos especialistas apontam para dois suspeitos: As proteínas beta-amiloide e tau, que formam placas ou aglomerados no cérebro.
Mas talvez os grupos que apoiam cada uma dessas duas vertentes devam se unir.
Thomas Shoff e colegas da Universidade da Califórnia de Riverside (EUA) demonstraram que as proteínas beta-amiloide e tau competem pelos mesmos sítios de ligação nos microtúbulos dos neurônios.
Isto muda tudo, porque indica que pode ser o deslocamento da tau pela beta-amiloide, e não a agregação de qualquer uma das proteínas, o principal fator determinante da patologia da doença de Alzheimer.
Os pesquisadores utilizaram polarização de fluorescência para medir as afinidades de ligação das beta-amiloides tanto às proteínas tubulinas individuais quanto aos microtúbulos. Os resultados mostraram afinidades de ligação comparáveis às relatadas para a tau, comprovando uma similaridade estrutural entre a beta-amiloide e os domínios de ligação aos microtúbulos da tau.

Mudança de opinião
Experimentos de laboratório permitiram então demonstrar que a introdução da tau humana recombinante reduz - mas não elimina - a ligação da beta-amiloide aos microtúbulos, o que é consistente com sítios de ligação compartilhados ou sobrepostos.
Segundo a equipe, essa hipótese do nexo dos microtúbulos reconcilia contradições antigas entre os modelos da doença de Alzheimer centrados na proteína amiloide e na proteína tau, abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas visando o deslocamento competitivo da proteína tau dos microtúbulos.
Antes, porém, os cientistas terão que concordar em abandonar suas hipóteses anteriores, e a realidade mostra que este não é um caminho muito trilhado.
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