Basta lembrar do café para estimular nosso cérebro

Basta lembrar do café para estimular nosso cérebro
Os estudos mais recentes têm lançado dúvidas sobre se o café ou o chá é o melhor para a saúde - ainda que se saiba também que a dose de cafeína e a idade de quem toma definem entre remédio e veneno. Mas também se sabe que o café diminui suas chances de desenvolver Alzheimer e Parkinson.
[Imagem: CC0 Creative Commons/Pixabay]

Com o café na cabeça

Apenas olhar para algo que nos lembra o café pode fazer com que nossa mente se torne mais alerta e atenta.

"O café é uma das bebidas mais populares e muito se sabe sobre seus efeitos físicos. Sabe-se muito menos sobre seu significado psicológico - em outras palavras, como até mesmo ver algo que nos lembre dele pode influenciar a forma como pensamos," dizem Sam Maglio e Eugene Chan, na Universidade de Toronto (Canadá).

Por isso os dois decidiram estudar um efeito chamado "efeito multiplicador", ou "efeito alavanca", que se refere ao efeito que a exposição a sinais sutis pode ter sobre nossos pensamentos e comportamentos.

"Queríamos ver se havia uma associação entre café e excitação de tal forma que, se simplesmente expuséssemos as pessoas a sugestões relacionadas ao café, sua excitação fisiológica aumentaria, como aconteceria se elas tivessem realmente tomado café," explicou Maglio.

Excitação psicológica

A excitação em Psicologia refere-se a como áreas específicas do cérebro são ativadas para atingir um estado de alerta, desperto e atento.

Ela pode ser desencadeada por várias coisas, incluindo nossas emoções, neurotransmissores no cérebro ou as bebidas cafeinadas que consumimos.

Neste caso, os pesquisadores queriam explorar se a exposição a coisas que nos lembram o café poderia ter um efeito sobre a excitação, e eles estudaram isso comparando com dicas relacionadas ao chá.

Pensar em café versus tomar café

Em quatro experimentos separados e usando uma mistura de voluntários de culturas ocidentais e orientais, eles descobriram que os participantes expostos a sugestões relacionadas ao café percebiam o tempo como mais curto e pensavam em termos mais concretos e precisos.

"As pessoas que experimentam a excitação fisiológica - mais uma vez, neste caso, como resultado do efeito multiplicador e não de beberem o próprio café - veem o mundo em termos mais específicos e detalhados," disse Maglio. "Isso tem várias implicações sobre como as pessoas processam informações e fazem julgamentos e tomam decisões."

No entanto, o efeito não foi tão forte entre os participantes que cresceram em culturas orientais. Maglio especula que a associação entre café e excitação não é tão forte em culturas menos dominadas pelo café.

Agora a equipe pretende analisar as associações que as pessoas fazem para diferentes alimentos e bebidas. Só de pensar em bebidas energéticas ou vinho tinto, por exemplo, será que se poderia obter efeitos de excitação ou mesmo benefícios cardiovasculares?

A pesquisa foi publicada na revista Consciousness and Cognition.


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