06/01/2022

Câmaras de eco moral nas redes sociais impulsionam radicalização

Redação do Diário da Saúde

Vínculos de reforço negativo

Ao examinar como algumas comunidades online acabam promovendo ideias e intenções radicais, pesquisadores descobriram que as "câmaras de eco" das mídias sociais podem criar vínculos de reforço que acabam aumentando a probabilidade de radicalização.

E, mais uma vez, parece que o problema emerge da falta de diversidade de ideias nessas comunidades virtuais.

"Em nossa pesquisa, descobrimos que, quanto mais pessoas estão em ambientes moralmente homogêneos, mais provável é que recorram a meios radicais para defender a si mesmas e a seus valores," disse o Dr. Mohammad Atari, da Universidade do Sul da Califórnia.

O primeiro experimento realizado pela equipe examinou postagens no Gab, uma rede de mídia social que tem atraído usuários de extrema-direita. Estudando quase 25 milhões de postagens em inglês, os pesquisadores descobriram que, quanto mais a linguagem do usuário se alinha com a moral do grupo, mais provável é que ele use uma linguagem depreciativa e odiosa em relação a outros grupos.

Os pesquisadores então avaliaram esses resultados examinando mais de 900.000 postagens em uma comunidade online no Reddit conhecida como "Incels", fundada para pessoas que se identificam como "celibatários involuntários" e frequentemente postam comentários violentos odiosos sobre mulheres.

"As pessoas que se encontram em uma 'bolha,' por assim dizer, em que suas ideias, crenças e valores são fortemente reforçados, podem continuar a formar um vínculo visceral com os de seu grupo," disse o Dr. Atari. "Nessas situações, as pessoas podem se envolver em atos radicais para defender seu grupo, variando em intensidade de um tuíte cheio de indignação até atacar um prédio federal."

Ambiente ruim para se estar

Em três experimentos adicionais, os pesquisadores exploraram se levar as pessoas a acreditar que seu grupo hipotético ou real (como a nacionalidade) compartilhava de suas visões morais aumentaria suas intenções radicais.

Os resultados mostraram que os participantes que acreditavam fazer parte de um grupo que compartilhava seus valores eram muito mais propensos a exibir intenções radicais de proteção e, em menor grau, lutar ou morrer pelo grupo.

O Dr. Atari observa que esses dados foram coletados principalmente de participantes nos Estados Unidos e desencoraja a generalização excessiva das descobertas para populações fora dos EUA, até que a pesquisa possa ser replicada em diferentes culturas.

"O que estou mais convencido é que, colocar-se em um ambiente extremamente homogêneo, onde ninguém discorda de seus valores, ou aplaude [afirmações como] 'Sim, o inferno!', não é um ambiente ótimo para se estar e pode até torná-lo um radical," concluiu.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Morally Homogeneous Networks and Radicalism
Autores: Show less Mohammad Atari, Aida Mostafazadeh Davani, Drew Kogon, Brendan Kennedy, Nripsuta Ani Saxena, Ian Anderson, Morteza Dehghani
Publicação: Social Psychological and Personality Science
DOI: 10.1177/19485506211059329
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