18/12/2025

Chip cerebral ultraminiaturizado transmite pensamentos em tempo real

Redação do Diário da Saúde
Chip cerebral ultraminiaturizado transmite pensamentos em tempo real
É como um pequeno pedaço de papel de seda, mas a eletrônica está toda aí, permitindo uma captura de dados sem precedentes.
[Imagem: Taesung Jung et al. - 10.1038/s41928-025-01509-9]

Chip cerebral

Uma nova geração de interfaces cérebro-máquina, parecido com um pedaço de papel de difícil de ver a olho nu, mas com alta capacidade de captura e transmissão de dados, promete revolucionar o tratamento de condições neurológicas graves e a forma como interagimos com a tecnologia.

Desenvolvido por um consórcio de universidades de ponta dos EUA, o dispositivo, chamado BISC, sigla em inglês para Sistema de Interface Biológica com o Córtex, é um chip implantável flexível que se acomoda na superfície do cérebro, criando uma ponte de comunicação sem fio de alta velocidade.

O problema central que o novo neurochip resolve é a invasividade e o baixo rendimento dos implantes cerebrais e chips neurais demonstrados até hoje.

Os sistemas atuais dependem de uma cápsula volumosa de circuitos eletrônicos, implantada com uma cirurgia craniana complexa, e de fios que limitam a mobilidade e a qualidade do sinal a longo prazo. Essas limitações restringem a aplicação e a eficácia das interfaces cérebro-computador para condições como epilepsia grave, lesão medular, AVC e esclerose lateral amiotrófica (ELA).

O novo chip não apenas vai melhorar muito o atendimento a todos esses casos, como também viabilizar a tecnologia para condições menos graves.

"O BISC transforma a superfície cortical em um portal eficaz, proporcionando comunicação de leitura e gravação de alta largura de banda e minimamente invasiva com IA e dispositivos externos," disse o professor Andreas Tolias, da Universidade de Stanford. "Sua escalabilidade em um único chip abre caminho para neuropróteses adaptativas e interfaces cérebro-IA para tratar diversos distúrbios neuropsiquiátricos, como a epilepsia."

Chip cerebral ultraminiaturizado transmite pensamentos em tempo real
A expectativa é que este neurochip permita o uso da tecnologia para condições menos graves.
[Imagem: Taesung Jung et al. - 10.1038/s41928-025-01509-9]

Processamento neural sem precedentes

O trunfo do novo neurochip está em sua engenharia radicalmente miniaturizada. O BISC condensa todo o sistema - incluindo 65.536 eletrodos, mais de mil canais de gravação e milhares de canais de estimulação, além de rádio, gerenciamento de energia e conversores de dados - em um único chip de silício flexível com apenas 50 micrômetros de espessura, o que é mais fino do que um fio de cabelo.

Com 3 mm3, o chip neural pode ser inserido por uma pequena incisão no crânio e posicionado sobre o córtex, como um papel de seda, dispensando a cirurgia de crânio aberto. Sem bateria, o chip é alimentado por uma estação retransmissora externa sem fios. Uma conexão de dados ultrarrápida, com uma taxa de transferência 100 vezes superior à de qualquer interface cérebro-computador sem fio atual, permite o processamento de sinais cerebrais por algoritmos avançados de inteligência artificial.

As potenciais aplicações do novo chip neural são vastas. A alta-fidelidade e alta velocidade permitem um controle aprimorado de convulsões em pacientes com epilepsia, a restauração de movimentos, da fala ou da visão através de próteses neurais, e o desenvolvimento de novas terapias para doenças neurodegenerativas.

Além disso, a plataforma abre caminho para interações humano-máquina mais fluidas e intuitivas, estabelecendo um novo patamar para a comunicação direta entre o cérebro e computadores externos, dizem os cientistas.

Checagem com artigo científico:

Artigo: A wireless subdural-contained brain-computer interface with 65,536 electrodes and 1,024 channels
Autores: Taesung Jung, Nanyu Zeng, Jason D. Fabbri, Guy Eichler, Zhe Li, Erfan Zabeh, Anup Das, Konstantin Willeke, Katie E. Wingel, Agrita Dubey, Rizwan Huq, Mohit Sharma, Yaoxing Hu, Girish Ramakrishnan, Kevin Tien, Paolo Mantovani, Abhinav Parihar, Heyu Yin, Denise Oswalt, Alexander Misdorp, Ilke Uguz, Tori Shinn, Gabrielle J. Rodriguez, Cate Nealley, Tjitse van der Molen, Sophia Sanborn, Ian Gonzales, Michael Roukes, Jeffrey Knecht, Kenneth S. Kosik, Daniel Yoshor, Peter Canoll, Eleonora Spinazzi, Luca P. Carloni, Bijan Pesaran, Saumil Patel, Joshua Jacobs, Brett Youngerman, R. James Cotton, Andreas Tolias, Kenneth L. Shepard
Publicação: Nature Electronics
DOI: 10.1038/s41928-025-01509-9
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