15/05/2020

Cinco dicas para aliviar a ansiedade da quarentena e do coronavírus

Redação do Diário da Saúde
Cinco dicas para aliviar a ansiedade da quarentena e do coranavírus
"Esta fase de nossas vidas estará nos livros de história. A história está sendo escrita agora. Você faz parte dessa história."
[Imagem: Svein-Inge Meland]

Primeiro o trivial

Muita gente está, com muita razão, sentindo-se ansiosa e com medo não apenas da doença causada pelo novo coronavírus, mas também ante a paralisação da sociedade e da economia, com um nível de incerteza não vivido por gerações.

Você não está sozinho em se sentir assim. Mas o que você pode fazer quando seus pensamentos continuam agitados e não consegue se livrar da sensação de aperto no peito?

"Siga as notícias e as instruções dadas pelas autoridades. Essa é a melhor estratégia de enfrentamento que você pode ter. E deixe-me acrescentar logo: essa situação vai melhorar," diz Hans Nordahl, professor de psicologia clínica e medicina comportamental na Universidade Norueguesa de Ciência e Tecnologia.

Nordahl acentua que é natural sentir mais preocupação, ansiedade e desconforto em uma situação como a atual. De fato, o medo pode até mesmo ser útil em certa medida.

"Paradoxalmente, o medo do coronavírus pode ajudar a conter a propagação da infecção, mas o medo também pode facilmente sair de proporção e deixar as pessoas ansiosas e estressadas no dia a dia," ressalva ele.

A perspectiva maior

Mas é possível também lidar melhor com toda esta situação, sem sofrer desnecessariamente ou de forma exagerada. Para o pesquisador, isso pode começar com a pessoa colocando a situação atual em uma perspectiva mais ampla.

"Lembre-se de que esta é uma situação muito especial que não experimentamos no período pós-Segunda Guerra Mundial. Esta fase de nossas vidas estará nos livros de história. A história está sendo escrita agora. Você faz parte dessa história. Nós estamos sendo expostos a uma nova crise, tanto em termos de saúde quanto da situação econômica. Tivemos crises econômicas, demissões e falências há dez e vinte anos também, mas não um problema de saúde como esse," destaca Nordahl.

Ter essa noção clara de que esta situação vai passar pode também nos ajudar a vê-la não como uma catástrofe, mas como um grande desafio, algo de que até nos orgulharemos quando contarmos essa história e de como tivemos forças para enfrentá-la e superá-la.

"Desafios são algo sobre os quais podemos agir. Preocupações e pensamentos catastróficos podem facilmente nos levar a verificar se há sintomas ou desconforto no corpo e na cabeça, o que, por sua vez, provoca sensação de mal-estar e ansiedade. A ação é o que é importante agora e evitar cair na armadilha da preocupação e do pensamento catastrófico," diz Nordahl.

Para ser mais direto e mais prático, o psicólogo oferece cinco dicas para lidar com o medo da pandemia, do coronavírus, da situação econômica e dos atos desastrados de políticos que demonstram não saber o que fazer:

  • 1.

    Esteja ciente dos fatos da situação quando surgirem pensamentos de ansiedade. Uma abordagem orientada a fatos é útil em tempos incertos. Você ganha um controle melhor e mais eficaz sobre a situação e minimiza seu pensamento catastrófico. Lembre a si mesmo de que ser orientado a fatos implica verificar o que é relevante e o que você realmente sabe sobre a situação, em não se iludir ou se concentrar ou especular sobre o pior que poderia acontecer.

  • 2.

    O pensamento catastrófico cria preocupação e ansiedade. Qual é o sentido de pensar nisso como um desastre? Se você vê toda essa situação como um desafio, irá pensar em qual é a coisa mais útil em que você pode se concentrar. Por exemplo, você pode criar um plano para lidar com as questões financeiras? Se você for demitido, como pode usar o tempo?

  • 3.

    Muitas pessoas têm problemas para lidar com os desafios da vida, mas se preocupar não ajuda. Preocupar-se não é muito útil para resolver problemas e inibe atividades que podem resolver problemas. É como sentar em uma espécie de cadeira de balanço mental, balançando freneticamente para frente e para trás, sem chegar a lugar algum. Preocupar-se é sucumbir ao pior resultado possível. As preocupações surgem e criam estresse e turbulência. É natural se preocupar, mas quão apropriado é se preocupar o tempo todo?

  • 4.

    Preocupações e ansiedade podem surgir quando você se concentra em ameaças e perigos futuros. Pense mais sobre o que você pode fazer no momento e se envolva em atividades que você pode fazer agora. Que tal fazer uma faxina? Ou finalmente arrumar aquele armário? Lavar as janelas? Pintar a garagem? Usar aquela esteira que tem funcionado como cabide há anos? Faça coisas práticas ou úteis que você não teve tempo de fazer antes.

  • 5.

    Sinta-se à vontade para compartilhar suas preocupações ou sentimentos de ansiedade com outras pessoas, se sentir necessidade, mas compartilhe outras coisas que também são importantes na sua vida cotidiana. No final, é você quem decide se deseja focar ou não na ansiedade.

"Se você vê esta situação como um desafio, vai pensar no que é mais apropriado para você se concentrar, aqui e agora," sugere o professor Nordahl.


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