13/01/2022

Descoberto biomarcador para diagnosticar depressão em mulheres

Redação do Diário da Saúde
Como a depressão afeta mulheres e homens de maneira diferente
"Nas mulheres, a doença é duas vezes mais comum, os sintomas são diferentes e a resposta aos antidepressivos não é a mesma que nos homens."
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Depressão no cérebro

Ao examinar o cérebro de pessoas com depressão, pesquisadores descobriram alterações localizadas em diferentes partes do cérebro para cada sexo.

Eles também identificaram um potencial biomarcador da depressão entre as mulheres.

Isto vem se somar a um crescente corpo de evidências científicas mostrando como as mesmas condições afetam homens e mulheres de formas diferentes.

"A depressão é muito diferente entre homens e mulheres," disse a professora Caroline Ménard, da Universidade Laval (Canadá). "Nas mulheres, a doença é duas vezes mais comum, os sintomas são diferentes e a resposta aos antidepressivos não é a mesma que nos homens. Nosso objetivo era descobrir por quê".

Diferenças da depressão em homens e mulheres

Em um estudo anterior, em experimentos com animais, a mesma equipe mostrou que o estresse social prolongado nos machos enfraqueceu a barreira hematoencefálica que separa o cérebro da circulação sanguínea periférica. Essas mudanças ocorreram devido à perda de uma proteína chamada claudina-5 e ficaram evidentes no nucleus accumbens, uma parte do cérebro associada à recompensa e ao controle das emoções. Agora os pesquisadores confirmaram a mesma coisa nos cérebros de homens que sofriam de depressão no momento de sua morte.

Quando o experimento inicial foi feito com cobaias fêmeas, as alterações da barreira cerebral causadas pela perda de claudina-5 estavam localizadas no córtex pré-frontal.

Os resultados foram os mesmos agora, quando foram examinados os cérebros de mulheres que sofriam de depressão no momento de sua morte. Nos homens, entretanto, a barreira hematoencefálica do córtex pré-frontal não foi afetada.

"O córtex pré-frontal está envolvido na regulação do humor, mas também na ansiedade e na autopercepção," explicou a professora Ménard. "Em camundongos machos cronicamente estressados e em homens com depressão, esta parte do cérebro não foi alterada. Essas descobertas sugerem que o estresse crônico altera a barreira cerebral de forma diferente de acordo com o sexo."

Biomarcador para depressão

Além de validar em humanos suas descobertas anteriores, agora os pesquisadores fizeram uma descoberta adicional, um marcador sanguíneo ligado à saúde da barreira cerebral.

O marcador, chamado E-selectina solúvel, é uma molécula inflamatória encontrada em concentrações mais altas no sangue das camundongos fêmeas estressadas. Ela também estava presente em amostras de sangue de mulheres com depressão, mas não no sangue dos homens.

"Hoje, a depressão ainda é diagnosticada por meio de questionários," disse Ménard. "Nosso grupo é o primeiro a mostrar a importância da saúde neurovascular na depressão e a sugerir a E-selectina solúvel como um biomarcador de depressão. Ela poderia ser usada para rastrear e diagnosticar depressão. Também poderia ser usada para medir a eficácia dos tratamentos atuais ou tratamentos em desenvolvimento contra a depressão. Mas, primeiro, estudos clínicos de grande coorte precisarão ser conduzidos para confirmar a confiabilidade do biomarcador."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Vascular and blood-brain barrier-related changes underlie stress responses and resilience in female mice and depression in human tissue
Autores: Laurence Dion-Albert, Alice Cadoret, Ellen Doney, Fernanda Neutzling Kaufmann, Katarzyna A. Dudek, Beatrice Daigle, Lyonna F. Parise, Flurin Cathomas, Nalia Samba, Natalie Hudson, Manon Lebel, Signature Consortium, Matthew Campbell, Gustavo Turecki, Naguib Mechawar, Caroline Menard
Publicação: Nature Communications
Vol.: 13, Article number: 164
DOI: 10.1038/s41467-021-27604-x
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