04/02/2022

Companhia, mesmo virtual, ajuda mulheres a lidarem com fobia social

Redação do Diário da Saúde
Companhia, mesmo virtual, ajuda mulheres a lidarem com fobia social
Os efeitos foram muito significativos para as mulheres.
[Imagem: Yanyan Qi et al. - 10.1038/s41398-021-01761-5]

Apoio social

A maioria das pessoas sente-se menos ansiosa ante uma situação assustadora se não tiver que enfrentá-la sozinha.

Mas, e se essas pessoas sofrerem de ansiedade social, ou fobia social, um distúrbio caracterizado pelo medo de se envergonhar em público? O efeito calmante de um companheiro então teria o efeito contrário?

E também podemos pensar no auxílio da tecnologia: Será que um companheiro virtual, um avatar, poderia resolver o problema nesses casos? E como homens e mulheres diferem na forma como respondem a tais situações?

Uma equipe de cientistas das universidades de Würzburg (Alemanha) e Zhengzhou (China) analisou todas essas questões em um estudo que envolveu especialistas das áreas de neurociência, psicologia e ciência da computação.

"Em poucas palavras, nós mostramos que a ansiedade também pode ser reduzida pela 'presença' de uma pessoa virtual, especialmente em mulheres socialmente ansiosas. E as mulheres em geral parecem se beneficiar mais da presença social," resumiu a professora Grit Hein, coordenadora do estudo.

Ela acredita que as conclusões a que a equipe chegou podem ter um significado prático para os pacientes, sobretudo para pacientes do sexo feminino.

Efeitos diferentes em homens e mulheres

Os experimentos envolveram 208 homens e mulheres. Todos foram expostos a sons indutores de medo, alternados com sons neutros - na companhia de outra pessoa ou sozinhos. As mulheres tinham companheiros do sexo feminino, os homens tinham companheiros do sexo masculino.

Os pesquisadores determinaram o nível de resposta de ansiedade dos participantes por meio de mudanças na condutância da pele. Além disso, os participantes tiveram que avaliar os sons em uma escala.

Mas a série de experimentos diferiu em um aspecto fundamental: Um grupo tinha uma pessoa real ao seu lado durante o experimento, enquanto o segundo grupo completou a tarefa em realidade virtual, acompanhado por um avatar que era uma imagem do companheiro real.

Os resultados mostram que:

  • As mulheres respondem muito mais fortemente a sons indutores de medo do que os homens.
  • A presença de outra pessoa reduz a ansiedade, especialmente nas mulheres. Isso é especialmente verdadeiro para mulheres sem transtorno de ansiedade social.
  • A presença de uma pessoa virtual também reduz a resposta de ansiedade nas mulheres, independentemente do nível de ansiedade social que elas experimentam. Assim, um agente virtual pode aumentar os sentimentos de segurança em mulheres que sofrem de transtorno de ansiedade social.
  • A ansiedade social não tem um efeito comparável nos homens.

Em estudos futuros, os pesquisadores pretendem estudar os efeitos a longo prazo e replicar as descobertas em situações da vida real.

Além disso, eles gostariam que estudos futuros explorassem sistematicamente o efeito do gênero da pessoa presente. Isso também permitiria que evidências cientificamente sólidas fossem fornecidas sobre como os homens respondem quando têm uma mulher ao seu lado em situações indutoras de medo e vice-versa.

Checagem com artigo científico:

Artigo: Social buffering of human fear is shaped by gender, social concern, and the presence of real vs virtual agents
Autores: Yanyan Qi, Dorothée Bruch, Philipp Krop, Martin J. Herrmann, Marc E. Latoschik, Jürgen Deckert, Grit Hein
Publicação: Translational Psychiatry
Vol.: 11, Article number: 641
DOI: 10.1038/s41398-021-01761-5
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