10/07/2019

Composto de planta brasileira combate duas doenças negligenciadas

Com informações da Agência Fapesp
Composto de planta brasileira combate duas doenças negligenciadas
Pesquisadores do Instituto Adolf Lutz constataram que substâncias sintetizadas de molécula da canela-seca são capazes de matar os parasitas transmissores de duas doenças negligenciadas.
[Imagem: Ana Claudia Torrecilhas/J. P. Maçaneiro/Flora Digital]

Remédio para os mais pobres

Um composto natural isolado de uma planta originária da Mata Atlântica, popularmente conhecida como canela-seca ou canela-branca (Nectranda leucantha), pode resultar em novos medicamentos para o tratamento da leishmaniose visceral e da doença de Chagas.

Ambas são consideradas doenças negligenciadas, que afetam principalmente as populações mais pobres e, por isso, não atraem os investimentos da indústria farmacêutica privada.

Quem descobriu a substância da canela-seca foram pesquisadores do Instituto Adolfo Lutz, que extraíram o fármaco e, juntamente com colegas da Universidade Federal do ABC (UFABC), caracterizaram-no como pertencente ao grupo das neolignanas.

"Observamos que os compostos foram altamente potentes contra a Leishmania infantum, causadora da leishmaniose visceral, e o Trypanosoma cruzi, transmissor da doença de Chagas," contou o pesquisador André Gustavo Tempone.

Juntamente com colaboradores de outros países, a equipe já conseguiu comprovar o efeito do composto sobre células do sistema imunológico e sintetizar 23 novos compostos derivados do extrato natural da planta.

"Uma das limitações no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento de doenças negligenciadas é encontrar parceiros para fazer a síntese dos compostos promissores. A colaboração com o grupo da Universidade de Oxford possibilitou darmos esse passo," disse Tempone.

Remédio simples e barato

Os pesquisadores pretendem, agora, otimizar os compostos, de modo a assegurar sua biodisponibilidade adequada no organismo. Essa etapa de avaliação da eficácia e segurança das moléculas é crucial para avançar para os estudos com animais, uma vez que mais de 90% dos compostos candidatos a fármacos testados in vitro (em células) falham nessa fase.

"Estamos otimizando os compostos por meio da química medicinal para que possamos aumentar a taxa de sucesso nos estudos em modelo animal. Mas os compostos que obtivemos já são protótipos bastante promissores para combater a leishmaniose e atendem às recomendações da DNDi [organização sem fins lucrativos de pesquisa e desenvolvimento de medicamentos para doenças negligenciadas]", disse Tempone.

Uma das recomendações da iniciativa internacional é que os compostos promissores para o tratamento de doenças negligenciadas sejam fáceis de serem sintetizados. "A síntese dos compostos que estamos estudando é simples, feita em cinco etapas, e são baratos," disse Tempone.


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