Cuidados no final da vida: Menos médicos e mais enfermeiros

Cuidados no final da vida: Menos médicos e mais enfermeiros
"Eles querem ser reconhecidos como uma pessoa inteira - com objetivos além de prolongar a vida. Este é o cerne do trabalho das enfermeiras," diz a professora Karen Lasater.
[Imagem: Karen Lasater]

Dignidade no fim da vida

Todo mundo quer uma morte digna - mas poucos realmente experimentam uma. Apesar de preferirem permanecer em casa, a maioria das pessoas passa seus últimos dias em hospitais, muitas vezes passando por procedimentos médicos que não melhoram sua sobrevida e nem sua qualidade de vida.

A conclusão é de uma análise feita por pesquisadores da Escola de Enfermagem da Universidade da Pensilvânia (EUA). A equipe descreve a qualidade dos cuidados de fim de vida em quase 500 hospitais dos EUA, baseando-se em quase 13.000 enfermeiros de beira de leito como informantes de qualidade.

A maioria dos enfermeiros (58%) classifica desfavoravelmente os cuidados no final da vida do hospital em que trabalham. O problema de qualidade mais comum que esses profissionais citam (53% dos enfermeiros) é que os pacientes frequentemente experimentam procedimentos dolorosos que provavelmente não mudam seu resultado clínico.

Este resultado é consistente com as tendências crescentes da adoção de intervenções médicas agressivas para evitar a morte a qualquer custo, a chamada "obstinação terapêutica", que é amplamente reconhecida como inadequada para indivíduos com doenças terminais.

Mais de um terço (37,7%) dos enfermeiros relatam ter sido desencorajados de discutir opções de cuidados alternativos ou paliativos com os pacientes ou com suas famílias. Uma porcentagem similar disse que muitas vezes discorda de seus colegas médicos sobre as decisões de cuidados no fim da vida - e sentem que as decisões não são tomadas em equipe.

"Até mesmo os melhores hospitais têm espaço significativo para melhorias quando se trata de fornecer melhores cuidados para os pacientes no final da vida," disse a professora Karen Lasater, coordenadora da análise. "Os hospitais não estão conseguindo capitalizar um grupo já disponível de provedores de cuidados especializados em fim de vida disponíveis para todos os pacientes em cada hospital - os enfermeiros à beira do leito".

Passando a bola

A equipe constatou que os cuidados de fim de vida são melhores em hospitais onde médicos e enfermeiros trabalham como uma equipe, onde a autoridade é devolvida aos enfermeiros para atuarem em suas áreas de especialização, onde os enfermeiros têm cargas de trabalho gerenciáveis e onde os enfermeiros estão altamente envolvidos na tomada de decisões hospitalares.

Em termos mais simples, quando os médicos não têm mais o que fazer para salvar a vida dos pacientes, o melhor para esses pacientes é deixar que os enfermeiros façam o que foram treinados para fazer: cuidar com qualidade e empatia.

"Para os pacientes e familiares, tomar decisões sobre cuidados com a saúde no final da vida é estressante. Eles querem ser atendidos por uma equipe de provedores que estimulem e respeitem suas preferências. Eles querem informações sobre a progressão da doença, o gerenciamento dos sintomas e uma série de opções de cuidados. Eles querem ser reconhecidos como uma pessoa inteira - com objetivos além de prolongar a vida. Este é o cerne do trabalho das enfermeiras," concluiu a professora Lasater.


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