Cumplicidade Médica: Quando os médicos ferem em vez de curar

Cumplicidade médica

Os médicos propõem-se o dever e fazem o juramento de cuidar dos pacientes para aliviar o sofrimento e tentar salvar vidas. Apesar de ocasionalmente cometerem erros, é raro que algum médico participe deliberadamente de atos que firam pessoas.

Mas há momentos em que fazer algo que é percebido como um "bom trabalho" pode acabar servindo como apoio a algo ruim - uma situação conhecida como cumplicidade médica.

Por exemplo, embora um médico não participe deliberadamente da tortura de um prisioneiro, ele pode ser indiretamente cúmplice de tortura ao concordar em tratar os ferimentos das vítimas para que outras pessoas continuem a feri-las.

Outros exemplos de cumplicidade médica podem ser menos extremos, mas ainda representam dilemas éticos significativos para os médicos que tentam decidir a coisa certa a fazer.

"O conceito de cumplicidade significa que você não faz o mal diretamente você mesmo, mas você ainda pode estar ajudando a causar mal a outros. A ética tende a se concentrar em transgressões diretas, o que é mais fácil de ver. Essa área da cumplicidade é pouco explorada porque é realmente complicada," explica a Dra Katrien Devolder, da Universidade de Oxford (Reino Unido).

Por ser tão complicado, mas importante, a União Europeia financiou um projeto, chamado MEDCOM, que reuniu pesquisadores de várias universidades para conceituar o problema e fornecer orientações sobre o assunto para os próprios médicos e para os legisladores.

"Fornecemos exemplos diferentes de casos em que a cumplicidade surge e os analisamos detalhadamente para verificar o impacto ético de possíveis ações. Espero que os profissionais médicos descubram mais sobre as considerações a serem levadas em conta quando forem confrontados com dilemas relacionados à cumplicidade e usem nossas ferramentas filosóficas para ajudar a resolvê-los," disse Devolder, que coordenou o projeto.

"É uma jornada contínua para desenvolver o conceito de cumplicidade médica," finalizou ela.

O relatório completo, intitulado "Cumplicidade Médica: Uma Nova Consideração Normativa e Suas Implicações para Três Estudos de Caso" ainda será publicado pela equipe.


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