
Vivências, não falhas
Pesquisadores estão propondo uma perspectiva radicalmente diferente da usada hoje sobre os delírios na psicose, sugerindo que essas experiências não são falhas cognitivas, mas sim a vivência de emoções profundas e suas consequentes sensações corporais.
Rosa Ritunnano e colegas da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, afirmam que pessoas em episódios psicóticos podem estar literalmente "habitando metáforas para dar sentido a sentimentos avassaladores".
Tradicionalmente, os delírios são descritos tanto na prática clínica quanto na cultura popular como crenças falsas, fixas e frequentemente incompreensíveis, resultantes de "falhas" no processamento cerebral.
Para os indivíduos afetados, que costumam ter o primeiro episódio entre os 16 e 30 anos, essa visão pode gerar sentimentos de marginalização e vergonha, dificultando a recuperação. E, em termos mais técnicos, essa abordagem frequentemente ignora o significado subjetivo da experiência, deixando pouco espaço para que o paciente discuta o que seus delírios representam.
Elementos do delírio
Ao analisar narrativas de jovens em tratamento, a equipe verificou que os delírios emergem de um "tecido" emocional e linguístico complexo. A descoberta central é que o conteúdo delirante reflete padrões do corpo reagindo a emoções intensas ou a traumas prévios, especialmente o sentimento de vergonha.
Os pesquisadores destacam três elementos centrais para o delírio:
No geral, defendem os pesquisadores, o delírio funciona como uma tentativa da pessoa - consciente ou inconscientemente - em restaurar o significado e o equilíbrio emocional quando a vida se torna insuportável. E isso é feito utilizando a linguagem cotidiana para descrever estados físicos e emocionais extremos, que podem parecer sem sentido para quem os vê de fora, o que inclui os terapeutas.
Metáforas vividas
Uma visão dos delírios como "metáforas vividas" pode permitir o desenvolvimento de abordagens clínicas mais compassivas e eficazes. Em vez de focar apenas na correção da "irracionalidade", os profissionais de saúde podem utilizar as metáforas e narrativas dos pacientes como chaves para entender seu sofrimento.
Essa mudança de paradigma abre caminho para terapias que priorizem o mundo emocional e corporal do indivíduo, reduzindo o estigma e integrando a experiência delirante ao processo de cura e recuperação da identidade.
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