É necessário evitar o viés biológico nos testes de medicamentos

É necessário evitar o viés biológico nos testes de medicamentos
Os ensaios clínicos para testar novos medicamentos não levam em conta a diversidade étnica da população.
[Imagem: CC0 Public Domain/Pixabay]

Novos medicamentos só para brancos

Para testar e validar um novo medicamento, é necessário fazer um ensaio clínico que tenha o objetivo de revelar mais claramente seus efeitos. Teste-o em um grupo de pessoas muito variável ou muito doente, e será muito mais difícil ver todos os efeitos.

Isso é apenas estatística.

Mas os esforços para obter os resultados mais claros possíveis levaram os cientistas e empresas farmacêuticas a desviarem os testes clínicos para um grupo muito particular: o de pessoas brancas. Até 86% dos participantes em testes de novos medicamentos são pessoas brancas.

Isso é um problema enorme: a etnia de uma pessoa pode influenciar a eficácia ou a periculosidade de um fármaco, assim como a idade, o sexo e mesmo o peso. Testar um medicamento em um grupo que não representa a população em geral significa que as diretrizes sobre como usá-lo serão, em grande parte, aplicáveis apenas a um subconjunto de pessoas.

No passado, muitas explicações foram dadas para os baixos números de, por exemplo, afro-descendentes, nos ensaios clínicos. Essas explicações incluíram menor conscientização dos ensaios, baixo número de pesquisadores biomédicos negros e uma "historicamente justificada" falta de confiança na classe médica.

Mas é hora de encarar o fato de que os requisitos usados para conquistar voluntários também estão contra eles. Assim como as mulheres foram excluídas da pesquisa devido à flutuação dos hormônios, os voluntários das minorias podem ser rejeitados nos testes devido às estatísticas que avaliam sua saúde.

Isto é particularmente preocupante dado que os grupos minoritários geralmente experimentam piores condições de saúde do que a média da população.

Por exemplo, o excesso de confiança em marcadores para a saúde renal ou imunológica pode explicar por que tão poucos homens negros são incluídos nos testes de câncer de próstata, apesar de a doença ser mais comum nesse grupo.

Então, como podemos representar melhor as populações reais e ainda detectar benefícios das novas drogas? Ensaios clínicos maiores ou ensaios extras em subgrupos podem ajudar, embora ambos custem mais dinheiro.

Não parece haver respostas fáceis. O que quer que venhamos a fazer, contudo, o que é certo é que é preciso agir.


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