01/07/2014

Facebook é criticado por estudo secreto sobre emoções

Redação do Diário da Saúde

Há pouco mais de uma semana, o Diário da Saúde foi o único veículo nacional a divulgar uma pesquisa que mostrou a manipulação de notícias mostradas a centenas de milhares de usuários do Facebook.

Durante o estudo, coordenado por Adam Kramer, funcionário do Facebook, em parceira com cientistas das universidades norte-americanas de Cornell e da Califórnia, o Facebook manipulou o feed de notícias de quase 700.000 usuários para mostrar mais notícias boas ou mais notícias ruins.

A manipulação foi feita durante uma semana, sem conhecimento e sem consentimento dos usuários.

Na reportagem, afirmávamos: "Embora até o momento nenhuma crítica ética tenha sido levantada...".

Ética dos dados

Pois agora as críticas éticas estão sendo levantadas à exaustão.

"Vamos chamar o experimento do Facebook do que ele é: o sintoma de uma falha muito maior em pensar sobre ética, poder e consentimento sobre plataformas (digitais)," disse a pesquisadora de política e ética de dados Kate Crawford, segundo reportagem da BBC.

Lauren Weinstein, que estuda tecnologia de sistemas, disse que o experimento secreto do Facebook "tentou fazer os usuários se sentirem tristes. O que pode dar errado?" ironizou ela.

O estudo concluiu que a exposição a conteúdo emocionalmente negativo leva o usuário a produzir e postar mais conteúdo negativo, e vice-versa, reforçando as emoções num e noutro sentido.

Segundo especialistas, é difícil avaliar o impacto que uma manipulação assim teria sobre indivíduos, por exemplo, com transtorno de personalidade limítrofe (Desordem Marginal) ou com forte depressão ou ansiedade, que já estejam "nos limites das suas emoções".

Ataques e defesas

O assunto chegou também aos políticos. Jim Sherida, parlamentar do Partido Trabalhista da Grã-Bretanha, pediu uma investigação sobre o assunto em uma entrevista ao jornal The Guardian.

"Eles estão manipulando material da vida pessoal dos usuários e eu estou preocupado com a habilidade do Facebook e de outros de controlarem os pensamentos das pessoas em política e em outras áreas", criticou Sherida.

O parlamentar defendeu uma legislação para proteger as pessoas contra este tipo de prática.

Já Katherine Sledge Moore, professora de psicologia de Elmhurst College, também ouvida pela BBC, afirmou que a realização deste tipo de estudo "não é uma surpresa".

"Considerando o que o Facebook faz com o feed de notícias dos usuários o tempo todo, e o que tivemos de concordar ao nos tornarmos usuários, esse estudo não é de se espantar," disse ela.

"Eu posso compreender por que algumas pessoas estão preocupadas e eu e os outros coautores lamentamos a forma como o experimento foi descrito e qualquer ansiedade causada," defendeu-se Adam Kramer.


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