17/01/2019

Físicos descobrem técnica para olhar dentro dos tumores

Redação do Diário da Saúde
Físicos descobrem técnica para olhar dentro dos tumores
A nova técnica de imageamento pode explicar porque a maioria dos candidatos a medicamentos contra o câncer não funciona.
[Imagem: Jérémie Margueritat/ILM/CNRS]

Imagem das propriedades mecânicas

Físicos desenvolveram uma nova maneira de estudar os tumores, criando imagens detalhadas do seu interior, o que pode ajudar não apenas nas pesquisas básicas, mas também no entendimento do funcionamento dos medicamentos e das novas drogas contra o câncer.

Para investigar as propriedades físicas dos tumores, os pesquisadores usaram uma técnica de imagem sem contato que não requer o uso de agentes de contraste - portanto, não perturba a função do tecido - e tira proveito das vibrações naturais infinitesimais da matéria.

Tudo começa com um raio laser vermelho iluminando a amostra a ser estudada. As vibrações infinitesimais da amostra, geradas pela agitação térmica induzida pelo laser, modificam ligeiramente a cor do feixe de luz refletido pelo tecido que está sendo estudado.

Ao analisar essa luz, cria-se um mapa das propriedades mecânicas do tumor: quanto mais rígida a área digitalizada pelo laser, mais rápidas as vibrações e, de maneira comparável ao efeito Doppler (o mecanismo que explica porque a sirene de um veículo que se aproxima fica cada vez mais estridente), maior será a mudança de cor.

Os testes mostraram que a técnica permite distinguir os tipos de células de diferentes malignidades baseando-se em suas propriedades mecânicas. Essa informação é crucial porque pode permitir que o diagnóstico da análise de uma biópsia seja refinado e ofereça uma melhor avaliação do grau do tumor.

A equipe também já avaliou variações locais nas propriedades mecânicas após um tratamento com medicamentos: O centro do tumor permanece rígido por mais tempo que a borda, demonstrando o gradiente de eficácia do tratamento. Portanto, a medição local das propriedades mecânicas pode confirmar a destruição total do tumor e ajudar na escolha da menor dose e duração possíveis de tratamento.

Imagem do interior de um tumor

Apesar de já termos alcançado uma boa compreensão da biologia do câncer, 90% das drogas experimentais que se mostram promissoras em laboratório falham durante os ensaios clínicos em humanos.

Vários estudos têm mostrado que as propriedades mecânicas dos tumores influenciam a progressão da doença e a eficácia do tratamento.

Embora já seja possível avaliar a elasticidade do tumor globalmente, é mais difícil medir a rigidez local em seu interior e ver se seu núcleo resiste à penetração dos líquidos terapêuticos, o que poderia explicar a falha das novas drogas.

É nesse contexto que entra a nova técnica de imageamento que acaba de ser criada pela equipe da professora Angélique Virgone-Carlotta, do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS, na sigla em francês).


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