30/05/2019

Fofoca não é necessariamente ruim - ela só é onipresente

Redação do Diário da Saúde
Fofoca não é necessariamente ruim - ela só é onipresente
Mais de 15% dos emails corporativos são fofocas. Mas é preciso tomar cuidado porque é mais fácil perder do que conquistar a fama de honesto.
[Imagem: Gilbert/Mitra]

Fofoca positiva, neutra ou negativa

Se você quiser olhar para as fofocas da forma que os cientistas e psicólogos fazem, remova o julgamento de valor que atribuímos à palavra e amplie bastante seu alcance.

A fofoca, na opinião dos acadêmicos, consiste simplesmente de falar de alguém que não está presente. Essa conversa pode ser positiva, neutra ou negativa. Ou seja, fofocar não é algo ruim por si mesmo, pode até ser bom.

"Com essa definição, seria difícil pensar em uma pessoa que nunca fofoca porque isso significaria que ela só mencionaria alguém que está em sua presença. As pessoas nunca poderiam falar sobre uma celebridade a menos que a celebridade estivesse presente para a conversa; elas apenas mencionariam qualquer detalhe sobre qualquer outra pessoa se elas estivessem presentes," detalha a professora Megan Robbins, da Universidade da Califórnia em Riverside (EUA).

Pesquisando o assunto com essa definição ampla, a equipe de Robbins constatou que as mulheres não se envolvem em fofocas mais do que os homens, nem mesmo quando se separa fofocas negativas e fofocas benignas. Da mesma forma, ao contrário da crença reinante, as pessoas de baixa renda não fofocam mais do que as pessoas mais abastadas.

Um pouco mais inesperado foi a constatação de que as pessoas mais jovens fofocam negativamente mais do que seus colegas mais velhos.

E quanto tempo as pessoas passam fofocando? 52 minutos por dia, em média.

Verdades e mitos sobre a fofoca

Entre os resultados da pesquisa sobre a fofoca em sentido amplo, estão:

  • Cerca de 14% das conversas dos participantes eram fofocas, ou pouco menos de uma hora em 16 horas de vigília.
  • Quase três quartos das fofocas eram neutras. Fofocas negativas (604 flagrantes) foram duas vezes mais prevalentes do que as positivas (376 ocorrências).
  • Em sua esmagadora maioria, as fofocas eram sobre conhecidos próximos - e não celebridades, por exemplo - com uma comparação de 3.292 e 369 ocorrências, respectivamente.
  • Pessoas extrovertidas fofocam com mais frequência do que os introvertidos, em todos os três tipos de fofoca (positiva, neutra ou negativa).
  • As mulheres fofocam mais que os homens, mas apenas em fofocas neutras, envolvendo o compartilhamento de informações.
  • Pessoas mais pobres e menos instruídas não fofocam mais do que pessoas mais ricas e melhor educadas. Isso é contrário às afirmações encontradas nos livros populares dos "melhores hábitos dos ricos".

E quer saber um resumo final de todo o estudo? Todo mundo fofoca. "A fofoca é onipresente," concluem os pesquisadores em seu artigo, publicado na revista Social Psychological and Personality Science.


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