11/05/2022

Gravidez de meninas exige mais da mãe do que gravidez de meninos

Redação do Diário da Saúde
Gravidez de meninas exige mais da mãe do que gravidez de meninas
A ideia é desenvolver terapias para dar suporte à gravidez de meninos.
[Imagem: Cambridge University/LittleDogKorat/Shutterstock]

Custo de ter um bebê menino

Meninos são mais exigentes do que as meninas antes mesmo de nascerem, concluíram cientistas.

Assim, descobrir o sexo de um bebê durante a gravidez pode levar a melhores chances de vida para o bebê e para a mãe, e a um melhor atendimento durante a gravidez.

As gravidezes de bebês do sexo masculino são mais propensas a resultar em complicações, possivelmente porque eles crescem mais rápido no útero e requerem mais nutrientes e oxigênio do que o fornecido pela mãe através da placenta - o órgão temporário que se prende à parede do útero durante a gravidez para ajudar o feto crescer e se desenvolver.

Agora, estudando animais de laboratório, os cientistas descobriram que o sexo do feto pode afetar o quão bem a placenta realmente funciona, juntamente com fatores como obesidade materna induzida pela dieta e estresse.

Cerca de uma em cada 10 mulheres são afetadas por distúrbios da gravidez, como restrição de crescimento fetal e pré-eclâmpsia - uma condição de pressão alta com risco de vida para mãe e filho. O problema é que esses distúrbios são difíceis de prever e tratar - mas esta pesquisa pode ajudar nesse processo.

Evitar surpresas

A nova pesquisa indica que elaborar planos de tratamento individuais e incentivar as mulheres grávidas a fazer mudanças no estilo de vida com base no sexo de seus bebês ainda não nascidos pode trazer benefícios para a saúde de seus filhos ao longo da vida.

"Muitas vezes os pais não querem saber o sexo do bebê porque querem que seja uma surpresa. Mas saber de fato o sexo vai ajudar a identificar se uma gravidez pode ser de mais alto risco do que outra porque nós sabemos que algumas condições da gravidez, como pré-eclâmpsia e restrição de crescimento fetal, podem ser mais prevalentes em mulheres que carregam bebês do sexo masculino do que em bebês do sexo feminino.

"Não sabemos 100% por que isso acontece, mas pode estar relacionado ao fato de que bebês do sexo masculino crescem mais rápido dentro do útero. Então, pode ser que suas demandas de nutrientes e oxigênio fornecidos pela mãe através da placenta possam facilmente tornam-se limitados, de modo que o bebê do sexo masculino pode não estar recebendo tudo o que realmente deseja e precisa para crescer em sua capacidade total," disse a Dra. Amanda Sferruzzi-Perri, da Universidade de Cambridge (Reino Unido).

Terapias para reforçar a placenta

Atualmente, existem poucas maneiras de tratar mulheres com complicações na gravidez além do repouso no leito, aconselhamento dietético ou parto prematuro, devido aos riscos de drogas passarem pela placenta e afetarem órgãos individuais do feto, que são muito sensíveis.

Por isso os cientistas estão tentando pensar em maneiras de projetar tratamentos que vão apenas para a placenta.

"Essas terapias melhorariam a maneira como a placenta funciona, como ela se desenvolve e até como, no nível de suas mitocôndrias, ela produz energia para dar suporte ao crescimento fetal," disse a Dra. Perri. "Muito desse trabalho de base está reforçando para nós que a placenta é fundamental para um resultado saudável da gravidez e que o sexo fetal é importante. Mas, olhando para os diferentes tipos de genes, proteínas e mecanismos celulares, podemos identificar alvos que podem ser como biomarcadores e especificamente direcionados à placenta para melhorar os resultados para mães e seus bebês."

Checagem com artigo científico:

Artigo: Placental structure, function, and mitochondrial phenotype relate to fetal size in each fetal sex in mice
Autores: Esteban Salazar-Petres, Daniela Pereira-Carvalho, Jorge Lopez-Tello, Amanda Nancy Sferruzzi-Perri
Publicação: Biology of Reproduction
Vol.: ioac056
DOI: 10.1093/biolre/ioac056
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