Hipertensos devem ter cuidado também com pressão baixa demais

Hipertensos devem ter cuidado também com pressão baixa demais
Pesquisadores da USP estão desenvolvendo um medicamento para combater a hipertensão em sua origem.
[Imagem: Wikimedia Commons/Grays Anatomy Book]

Quando a pressão cai demais

Variações na pressão arterial não são perigosas só quando sobem - mesmo entre os pacientes diagnosticados com pressão alta.

Na verdade, se os pacientes que tomam medicamentos para controlar a hipertensão passarem por períodos em que sua pressão arterial baixa substancialmente - pressão arterial sistólica abaixo de 110 mmHg - eles têm duas vezes mais probabilidade de apresentar uma queda ou desmaiar do que os pacientes cuja pressão arterial tratada permanece acima desse nível.

Esta descoberta é oportuna porque, no final do ano passado, a Associação Norte-Americana do Coração e a Faculdade Norte-Americana de Cardiologia diminuíram suas definições de pressão alta, passando de uma pressão sistólica de "pelo menos 140 mmHg" para "pelo menos 130 mmHg".

"Os esforços para reduzir as pressões sanguíneas dos pacientes com hipertensão são um fator importante na redução do risco de ataque cardíaco e derrame. Mas nosso estudo mostra que atingir uma pressão arterial mais baixa pode criar uma subpopulação de pacientes cujas pressões sanguíneas podem ir baixo demais, o que pode representar risco de quedas graves e desmaios," detalhou o Dr. John Sim, nefrologista do Centro Médico Kaiser Permanente de Los Angeles (EUA).

De hipertensão para hipotensão sanguínea

Para determinar os efeitos da redução da pressão arterial entre os pacientes hipertensos, a equipe do Dr. Sim analisou os registros eletrônicos de mais de 475.000 pacientes que receberam receitas com medicamentos para tratar a hipertensão.

Entre esses pacientes, 27% atingiram uma pressão arterial sistólica abaixo de 110 mmHg durante pelo menos uma visita ao médico, enquanto 3% dos pacientes tiveram uma média abaixo desse nível durante todo o período do estudo, de um ano.

O primeiro grupo - um único episódio de pressão sistólica menor ou igual a 110mmHg - apresentou duas vezes mais risco de queda grave ou desmaio, enquanto o segundo grupo - pressão média baixa no período - apresentou um risco 50% maior.

"Os médicos que consideram metas menores de pressão arterial para seus pacientes devem pesar os riscos e os benefícios da redução agressiva da pressão arterial em uma base individual, especialmente em pacientes mais velhos," alertou o Dr. Sim.

Isso porque os pacientes mais velhos têm maior probabilidade de ter reduções agudas na pressão arterial - hipotensão ortostática -, que é quando a pressão arterial cai substancialmente quando a pessoa está em pé ou se levanta. Como têm reflexos mais lentos, os pacientes idosos têm maior dificuldade para compensar essa diminuição súbita, podendo cair ou mesmo desmaiar.


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